A difícil, mas imperativa, aproximação da esquerda com os evangélicos

Os evangélicos são mais conservadores que os católicos? Não, as duas principais filiações religiosas do país são igualmente conservadoras, é o que revelam pesquisas que medem opiniões relacionadas ao que a direita convencionou chamar de ‘pauta de costumes’. Como os líderes evangélicos são mais engajados politicamente que as lideranças do catolicismo, a impressão que fica…

Os evangélicos são mais conservadores que os católicos? Não, as duas principais filiações religiosas do país são igualmente conservadoras, é o que revelam pesquisas que medem opiniões relacionadas ao que a direita convencionou chamar de ‘pauta de costumes’. Como os líderes evangélicos são mais engajados politicamente que as lideranças do catolicismo, a impressão que fica é que o nível de conservadorismo entre os protestantes é maior.

A Igreja Católica tem em sua história moderna um vínculo com movimentos progressistas, o que não se viu com mesma intensidade nas Igrejas Evangélicas. E com o crescimento do pentecostalismo, a predileção dos pastores por movimentos de direita ficou mais evidente.

No momento em que uma crise se abateu no progressismo, pastores aproveitaram para disciplinar seus fiéis contra o que chamam pejorativamente de esquerdismo. Quando viram que com Jair Bolsonaro poderiam barganhar como nunca experimentaram em seus versículos de disciplinamento de doutrinação política, esquerda virou sinônimo de satanismo.

“Na hora que a igreja evangélica faz uma opção, como igreja, por um candidato, ela deixa de ser igreja. O Senhor da igreja é Jesus, e ele não tem Título de Eleitor no Brasil”.

Silas Malafaia, em 2002

É difícil para a esquerda, depois da violência sofrida por pastores de diferentes denominações, estreitar laços com esses líderes. No entanto, é imperativo que essa aproximação ocorra, pois dentro de um período de 10 anos estima-se que os protestantes serão mais numerosos que os católicos, e sem o apoio evangélico será complicado para os progressistas vencerem eleições. Num recorte religioso, Lula se elegeu porque foi o preferido no catolicismo, que ainda é maioria religiosa.

O discurso de Estado laico, defendido por Lula enquanto candidato, não se firma perante guias espirituais que veem na luta política um fundamento de como devem conduzir pregações nos púlpitos. Os líderes evangélicos querem muitos benefícios na política, a extrema direita soube compreender isso como ninguém.

A relação da esquerda com o conservadorismo protestante é um dos maiores desafios no curto prazo. Os crentes brasileiros têm uma cara feminina, negra, pobre e periférica, perfil do eleitorado esquerdista. Cabe a esquerda entrar no jogo, compreender o ethos desse segmento e conquistá-lo. Quanto mais à direta estiverem, mais difícil será para o progressismo vencer as próximas eleições.


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