A dívida sem fim do futebol brasileiro

Os 20 maiores clubes de futebol do Brasil acumularam dívidas de R$ 10,6 bilhões até o final de 2022, segundo levantamento da SportsValue com base nos balanços financeiros das equipes. O Atlético-MG lidera a lista com R$ 1,57 bilhão em débitos, um aumento de 20% em relação a 2021. A maior parte da dívida é composta por operações de crédito e empréstimos de apoiadores, incluindo Rubens Menin, CEO da MRV e fundador da CNN Brasil. Além disso, a construção da MRV Arena ainda não foi incluída na conta do Atlético-MG, que pode chegar a R$ 2 bilhões em dívidas quando as despesas forem contabilizadas.

O Cruzeiro aparece em segundo lugar na lista, com uma dívida de R$ 1,05 bilhão, um aumento anual de 3%. A queda de receita do clube após três temporadas na Série B é apontada como um dos principais motivos para o aumento da dívida. Desde dezembro de 2021, o Cruzeiro se tornou uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol), um modelo conhecido como clube-empresa.

Apesar da dívida acumulada pelos clubes, a relação dívida/receita diminuiu em relação aos anos anteriores. O Cuiabá, por exemplo, possui a menor relação dívida/receita, de 0,02, seguido por Fortaleza, Atlético-GO e Ceará. O Flamengo, que teve a maior receita do ano passado, R$ 1,18 bilhão, aparece em 5º lugar na lista, com relação dívida/receita de 0,22.

Outro destaque positivo é o caixa do Flamengo, que encerrou o ano de 2022 com R$ 237 milhões, valor 2,7 vezes maior que o do Athletico-PR, o segundo colocado nesse ranking. Somados os 20 primeiros clubes, o valor do caixa é de R$ 527 milhões, menos do que o caixa da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), que tinha R$ 888 milhões até o final do ano.