A Genealogia da Moral e a Democracia

Por Gláucio Tavares* Em sua intrigante obra Genealogia da Moral, o filósofo Friedrick Nietzsche distingue duas classes de moral: a do homem guerreiro e a do sacerdote. A categoria dos guerreiros é marcada por uma moral centrada na vida terrena, enquanto que a outra no além vida. Dessa contraposição, surge pois duas classes de morais,…

Por Gláucio Tavares*

Em sua intrigante obra Genealogia da Moral, o filósofo Friedrick Nietzsche distingue duas classes de moral: a do homem guerreiro e a do sacerdote. A categoria dos guerreiros é marcada por uma moral centrada na vida terrena, enquanto que a outra no além vida. Dessa contraposição, surge pois duas classes de morais, qual sejam, a moral dos senhores e a moral dos escravos.

A moral dos senhores é marcada pela vontade de luta, pela força, pela altivez… Nobre seria essa energia própria de encarar a vida e de autossuperação (eu som bom, eu sou belo, eu sou forte). Esta moral é, pois, própria dos conquistadores. A felicidade é intrínseca a estes indivíduos demasiadamente humanos que não precisam procurar ventura no além-vida.

Noutro vértice da escala moral, encontra-se a moral dos escravos. Esta categoria de moral é própria dos ressentidos, que não encontram conforto a não ser se comparando com as outras pessoas. A fraqueza, a rasteirice, a bajulação, a vilania e toda sorte de perversão os caracterizam. Coloca-se, nesse fosso, uma negação de valores sistematizada por uma vitimização. São os valores do nobre que são maus (exercício do pensamento ressentido), e desta inversão de valores, e após negar a bondade no nobre, o colocará como mau, pois; “eu que sou inferior e fraco é que sou bom”, ele quem é forte “é mau, pois me inferioriza”.1

A par dessas sintéticas considerações e numa crença empírica de que a moral dos escravos encontra mais seguidores entre nossos pares, não só em nossa comunidade, mas em âmbito global, o que nos poderia reservar um governo escolhido pela maioria?

Não nós parece difícil a resposta.

Na democracia é preciso agradar e ser agradável para se seduzir a maioria. Esse é o abismo que invariavelmente prospera a disposição para enganar. O campo é estéril para quem pretenda semear o bom fruto, sendo mesmo insólito que alguém, de forma veraz, exerça a moral dos senhores.

É desse contexto que fluem os cotidianos casos de corrupção, frutos de um sistema que tem por base uma moral corroída pela inversão de valores. O medíocre é o padrão, mascarado, não raro, por uma mega hipocrisia. Assim, não é de se estranhar que um indivíduo com bons propósitos seja desprezado ou até mesmo ridicularizado, posto que é visto como uma ameaça a rasteirice dominante.

Em conclusão, podemos asseverar que o problema não está na democracia, mas na moral subjacente ao sistema.

Bibliografia
NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. A Gaia Ciência. Tradução, notas e posfácio de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Genealogia da Moral: uma polêmica. Tradução, notas e posfácio: Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
FERREIRA, Emerson Benedito. Genealogia da Moral: uma polêmica.

*Gláucio Tavares é graduado em farmácia pela UFRN, bacharel em Direito pela UERN, pós-graduado em Direito Penal e Direito Tributários pela Universidade Anhanguera-LFG e ativista político pela democracia.


Comments

3 respostas para “A Genealogia da Moral e a Democracia”

  1. Muito enriquecendor esse artigo.
    Parabéns.

  2. A sociedade hoje está cada dia mais doente e precisamos de bons textos como o seu para a reflexão do nosso eu!

  3. Avatar de Glauciane Tavares
    Glauciane Tavares

    Parabéns,Glaucio Tavares, muito orgulho de você! 👏🏻👏🏻👏🏻

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