A Guerra na Ucrânia e o “Destino Manifesto”

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi criada em 1949 para proteger os interesses do bloco de países capitalistas que – junto à URSS – derrotaram os países do Eixo nazista na 2ª Guerra Mundial. Já o Pacto de Varsóvia foi criado em 1955 como uma aliança militar liderada pela União Soviética e…

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi criada em 1949 para proteger os interesses do bloco de países capitalistas que – junto à URSS – derrotaram os países do Eixo nazista na 2ª Guerra Mundial.

Já o Pacto de Varsóvia foi criado em 1955 como uma aliança militar liderada pela União Soviética e composta por países socialistas da Europa Oriental e Central, em resposta à formação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) pelos Estados Unidos e seus aliados europeus ocidentais.

O resultado desses movimentos foi a divisão geopolítica da Europa entre socialismo e capitalismo, conhecida como a Cortina de Ferro.

Caiu a URSS e …

Inicialmente, a OTAN agregava um grupo mais restrito de países. Foram 12 os fundadores da organização: Estados Unidos, Reino Unido, Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Holanda, Noruega e Portugal. Após a queda da URSS no início da década de 1990, a OTAN intensificou a sua política externa em direção às ex-repúblicas soviéticas e sua área de influência.

Desde então a OTAN incorporou: Polônia, Hungria e República Tcheca (1999); Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia (2004); Albânia e Croácia (2009); Montenegro (2017); e Macedônia do Norte (2020).

Além da Ucrânia, cujo pleito foi um dos estopins da atual guerra, atualmente Finlândia e Suécia também pretendem ingressar na aliança militar.

Nota-se com clareza que a OTAN vem – desde a dissolução da União Soviética – ampliando significativamente suas bases territoriais no Leste Europeu, antigo domínio soviético. É a isso que se deve a recente declaração de Vladimir Putin de os EUA estão querendo rever os resultados da 2ª Guerra Mundial.

A expansão da OTAN se dá num cenário em os EUA estão ameaçados em seu domínio internacional. A China deverá se tornar a maior economia do planeta já nos próximos anos. Mesmo com a saída do Reino Unido, a União Europeia e o Euro representam riscos ao americanos. Sem falar na crescente influência global dos países asiáticos.

Destino Manifesto

A expressão “Destino Manifesto” foi criada pelo jornalista norte-americano John L. O’Sullivan e teve entre seus popularizadores o grande poeta Walt Whitman. Popular no século XIX, o conceito afirmava que era o destino divino da nação americana expandir seu território e seus ideais democráticos sobre a América do Norte e posteriormente sobre outras partes do mundo.

A crença de que os Estados Unidos eram uma nação “escolhida por Deus” para levar a liberdade e a democracia a outras nações, foi utilizada para justificar a expansão territorial dos Estados Unidos, incluindo a anexação de territórios anteriormente pertencentes a México e a Espanha.

Os proponentes do “Destino Manifesto” acreditavam que a expansão territorial dos Estados Unidos era uma forma de espalhar a democracia, a liberdade e os valores americanos para outras partes do mundo, e que os Estados Unidos tinham a responsabilidade de liderar e orientar outras nações no caminho do progresso e da modernidade.

Grupos conservadores e nacionalistas norte-americanos divergem em relação à política externa do país. Donald Trump – execrado ex-presidente americano – adotou uma política voltada para o ambiente interno, promovendo a desmobilização de tropas do país no exterior e evitando aplicar recursos.

Já o governo democrata de Joe Biden vem revertendo a política anterior e ampliando sua presença em conflitos internacionais, a exemplo dos constantes estímulos à Guerra na Ucrânia.

Longe de ser uma equação simples entre conservadores e democratas, o legado americano do “Destino Manifesto” é um repertório constante da política daquele país. De tempos em tempos ressurge, com novas roupas e velhos ideais.


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