A guerra pelos baixos – e não tão baixos – escalões do governo Lula

Em discurso na tarde de ontem Lula falou em limpar o governo dos “bolsonaristas infiltrados” nos cargos de confiança. Parece despropositada a declaração, mas ela reflete um dos maiores dramas do momento na vida de Brasília: as nomeações do 2º escalão e de importantes órgãos públicos. “Está tudo parado. Tem gente que acertou a transferência…

Em discurso na tarde de ontem Lula falou em limpar o governo dos “bolsonaristas infiltrados” nos cargos de confiança. Parece despropositada a declaração, mas ela reflete um dos maiores dramas do momento na vida de Brasília: as nomeações do 2º escalão e de importantes órgãos públicos.

“Está tudo parado. Tem gente que acertou a transferência para Brasília ainda na transição e que a nomeação não saiu até agora”, disse uma fonte nossa na Capital Federal que teve a sorte de ser nomeada.

O que atrasa a ocupação dos sonhados cargos é a demora nas negociações com partidos da base aliada, sobretudo com o centrão, que segue faminto. O “centrão” – grupo de partidos de centro-direita que, em troca de verbas e espaço na máquina pública, costuma apoiar diferentes governos – mantém sua força no governo Lula.

Os órgãos mais desejados pelos partidos são aqueles com grande orçamento e capilaridade no território nacional, que têm verba e alcance para impactar realidades locais e gerar mais dividendos políticos. Por exemplo, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), que consagrou Rogério Marinho (PL), o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e as superintendências do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Amazônia (Sudam).

Ocupar esses cargos permite aos políticos ampliar sua influência em suas bases eleitorais, o que tende a se transformar em mais força política nas eleições seguintes. O presidente Lula ainda ainda busca ampliar Congresso para garantir a aprovação de matérias do seu interesse, já que as siglas de centro-esquerda são minoria no Parlamento. Assim, busca negociar esses cargos com integrantes de partidos que eram da base do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e agora se colocam como independentes, como Republicanos e PP, a fim de obter pelo menos parte de seus votos no Congresso.

Além disso, partidos grandes da centro-direita que receberam o comando de alguns ministérios, como MDB, PSD e União Brasil, mas que não estão integralmente fechados com o Palácio do Planalto, também desejam mais espaço no governo. Na disputa por esses cargos, estão também os partidos mais próximos a Lula, como o próprio PT. Gleisi Hoffmann, presidente do partido, declarou recentemente que o PT não pode mais abrir mão de novos espaços.

As nomeações, por isso, correm em ritmo lento, enquanto dramáticas negociações acontecem nos bastidores. Deputados têm reclamado sobre a demora na nomeação de seus nomes, levantando a suspeita de que os líderes dos partidos no Congresso, incluindo o presidente da Câmara, Arthur Lira, do PP de Alagoas, possam estar retendo esses cargos em suas mãos.

Em seu 2º mês de mandato, Lula esbarra no cotidiano da politica. E não subestimem a importância disso no futuro de seu governo.


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