Acabou a paz entre Lula e a imprensa?

Fotos: EBC

A cobertura da Rede Globo dos resultados do 2º turno da eleição presidencial, em 30 de outubro, foi coisa bonita de se ver, àqueles que também estavam aliviados pelo fim iminente do ciclo de Jair Bolsonaro no Brasil.

Ao que tudo indica, a relação amistosa entre Lula e a imprensa tende a perdurar. Ambos aprenderam sobre as consequências de rupturas prematuras.

Mas essa aliança não vem de graça nem é absoluta. A imprensa, aquela que assumiu pra si o papel de derrotar Bolsonaro, também tem suas pautas. Sobretudo nas questões econômicas, já emergem as pressões e divergências. Faz parte do jogo democrático.

Em artigo de hoje no Estadão, Denis Lerrer Rosenfield dá o tom de qual será a postura dos principais veículos da mídia acerca do governo Lula. Suas críticas até têm fundamentos sólidos, apesar da pobre referência a Lênin:

“O maior eleitor de Lula foi Jair Bolsonaro. O novo presidente não foi eleito por suas ideias – aliás, inexistentes –, mas por reação ao atual presidente e ao bolsonarismo em geral. Suas propostas se reduziram aos velhos chavões petistas e a uma curiosa seleção de suas administrações passadas, dosadas com cuidado de modo que o governo Dilma desaparecesse dessa sua apresentação. Ele seria, constrói-se a lenda, a “solução” por sua mera presença. Parafraseando Lenin, não se colocou uma questão central: O que fazer?”

Lula não conseguirá levar muito longe o salvo-conduto do qual vem se valendo. Em algum momento terá que fazer opções difíceis que desagradarão a uns ou outros. Também faz parte da democracia.