Afinal, o que é ‘comunista’

A “lista de novos comunistas” é atualizada quase que diariamente nas redes sociais brasileiras: Rede Globo, STF, The Economist, Bill Gates, Sergio Moro… Você já deve ter se deparado com um meme parecido com o descrito acima nos últimos anos — e nem é preciso afirmar que nenhuma das pessoas ou instituições citadas é realmente…

A “lista de novos comunistas” é atualizada quase que diariamente nas redes sociais brasileiras: Rede Globo, STF, The Economist, Bill Gates, Sergio Moro…

Você já deve ter se deparado com um meme parecido com o descrito acima nos últimos anos — e nem é preciso afirmar que nenhuma das pessoas ou instituições citadas é realmente comunista. A brincadeira, no entanto, ilustra como o termo comunista virou um xingamento popular na direita brasileira.

Mas quais as origens da ideologia política que inspirou ideais, revoluções e também massacres ao redor do mundo?

Há quem aponte o surgimento desses ideais na Grécia Antiga, quando o filósofo Platão já discutia ideias como o fim da propriedade privada e da família para evitar conflitos entre interesses públicos e interesses privados. Outros apontam raízes do comunismo no espírito comunitário ligado ao surgimento do cristianismo.

Especialistas veem outras bases filosóficas ao longo dos séculos, como as ideias de utopia pregadas por Thomas More no século 16 e por Charles Fourier no século 19.

Mas o comunismo tal como o conhecemos hoje surgiria capitaneado por Karl Marx e Friedrich Engels.

Em geral, especialistas afirmam que o comunismo marxista prega que a luta de classes entre a burguesia e o proletariado levaria à revolução. O socialismo seria uma espécie de estágio intermediário, com algumas poucas instituições do capitalismo ainda em vigor e a classe trabalhadora se conscientizando e se empoderando. Quando o comunismo fosse implantado de fato, a sociedade deixaria de ter classes e propriedades privadas.

Uma versão dessas ideias sairia do papel a partir de 1917, com a Revolução Comunista na Rússia. Nas décadas seguintes, a União Soviética passa por transformações profundas e conturbadas, como um rápido processo de industrialização e uma ampla coletivização de propriedades rurais (que acabou também levando à fome e a milhões de mortes).

Em meio a essas mudanças, o líder comunista Joseph Stálin promove o que ficou conhecido como o Grande Terror: a perseguição, o expurgo e o assassinato de quem era identificado como inimigo da revolução.

Mas as ideias comunistas, socialistas e marxistas não avançaram ao longo do século 20 somente em forma de revolução.

A exemplo da social-democracia (ou socialismo democrático), que busca reduzir as desigualdades, aumentar os serviços públicos fornecidos pelo Estado e regular o capital por meio de leis, sempre se mantendo na seara democrática.

Nos anos 1990, no entanto, o colapso da União Soviética se torna um golpe para a viabilidade do modelo preconizado por Lenin e Stálin. Mas por que, então, se fala tanto de comunistas até hoje?

Especialistas apontam dois grandes motivos: a influência dessas ideias no próprio capitalismo e o temor (real ou imaginário) que elas despertam.

Por um lado, o historiador Daniel Beer, da Universidade de Londres, ressalta que diversos países capitalistas, incluindo o Brasil, se inspiraram em iniciativas pioneiras pela União Soviética ao criarem sistemas de bem-estar social, benefícios para desempregados e moradia popular.

De outro, muitos associam a doutrina marxista e os governos comunistas a autoritarismo e violência política que marcaram algumas dessas experiências.

Mas há quem aponte o uso do comunismo como um “inimigo imaginário” útil na propaganda contra adversários políticos.

No Brasil, esse tipo de estratégia anticomunista visa hoje associar o PT ao comunismo em duas vertentes: seja comparando medidas e ideias (ainda que o partido nunca tenha se proposto a ser comunista), seja na proximidade com os governos de Cuba e da Venezuela (principalmente na era Lula).

Fonte: BBC


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