Allyson se encaminha para uma reeleição segura

Allyson Bezerra (SD) experimentou, no pleito estadual de 2022, algo semelhante ao que Rosalba Ciarlini (PP) amargou na estadual de 2018. Seus candidatos, de sobremodo, foram rechaçados pelas urnas. No caso do rosalbismo, ao não compreender o que saiu das urnas em 2018, a consequência foi projetar sua própria derrota em 2020. Imbuídos de um…

Allyson Bezerra (SD) experimentou, no pleito estadual de 2022, algo semelhante ao que Rosalba Ciarlini (PP) amargou na estadual de 2018. Seus candidatos, de sobremodo, foram rechaçados pelas urnas. No caso do rosalbismo, ao não compreender o que saiu das urnas em 2018, a consequência foi projetar sua própria derrota em 2020.

Imbuídos de um profundo e cego ego de superioridade político-moral, Rosalba Ciarlini e Carlos Augusto Rosado deram uma resposta reacionária ao resultado do pleito de 2018. Uma resposta relativamente conservadora talvez pudesse ter salvo o rosalbismo da hecatombe eleitoral de 2020.

No rastro da derrota de 2018, e durante os últimos 2 anos que completariam seu mandato, a estratégia de Rosalba foi pregar que todos os males que a população enxergava na gestão se deviam unicamente aos secretários, principalmente o da pasta da Saúde, Benjamim Bento, que foi defenestrado do cargo um mês depois do pleito estadual. Como uma prefeita, que comanda seus secretários, se exime de qualquer responsabilidade pelos desmandos administrativos de seu governo? A resposta estapafúrdia para tal questionamento é a estupidez da miopia política que já acossava Rosalba e Carlos àquela altura.

Uma compreensão, minimamente sensata, demandaria que o rosalbismo reorganizasse o grupo, abrindo espaços para diferentes figuras que não estavam alinhadas a gestão municipal. O tão declamado pragmatismo político não encontrou morada na degradação política que tomava de conta do casal Rosalba-Carlos. Além da falha no campo político, houve a falha no campo administrativo. A contratação do empréstimo para o Programa de Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (FINISA), faltando 1 ano para a eleição, não teve como ser tocado pela prefeita, fazendo com que Rosalba acumulasse mais desgaste administrativo ao invés de dividendos político-administrativos, o propósito do FINISA.

Enquanto Rosalba teima com a realidade, Allyson Bezerra trabalha sobre ela para tornar mais segura sua reeleição. O prefeito reorganizou seu agrupamento, abrindo espaços para nomes de diferentes matizes políticos, mexendo em sua equipe administrativa, sem demonizar nenhum secretário. Agiu rápido, ao aprovar, faltando quase 2 anos para a eleição de 2024, a contratação de empréstimos da ordem de até 250 milhões de reais e até 40 milhões de dólares, para tocar as obras estruturantes do projeto de metas e investimentos denominado de “Mossoró Realiza”.

Com a aprovação do empréstimo de 200 milhões junto à Caixa Econômica Federal, com parcelas liberadas neste ano e no próximo ano, Bezerra terá tempo para tocar obras e se credenciar ainda mais perante à opinião pública. Se o intuito do prefeito for transformar Mossoró num canteiro de obras, passando a impressão para a população de que as coisas estão acontecendo, o tempo trabalha a favor do alcaide.

Com a avaliação em alta, 86% de aprovação, conforme apontou pesquisa Seta/Blog do Barreto em setembro do ano passado, Bezerra não passa por um desgaste político, como já enfrentava Rosalba, em sua 2ª metade de governo. Nem mesmo o recente entrevero do prefeito com os sindicatos municipais não é garantia, como deseja a oposição, de corrosão em sua popularidade.

Quem não se lembra quando no fim dos anos 1990, Rosalba Ciarlini, em 2º mandato à frente do executivo municipal, demitiu quase 1 mil servidores da Prefeitura? Esses quase 1 mil representam centenas de famílias e amigos que se viram indignadas com o ato da prefeita, e mesmo assim, por 2 décadas, Rosalba continuou sendo a maior liderança mossoroense.

O impacto que as obras do “Mossoró Realiza” trarão na imagem de Allyson enquanto gestor, servem para amenizar ou dissipar possíveis atrições do governo. A oposição, que tem segmentos e lideranças que não são desprezíveis, tende a ter dificuldade em impor uma agenda pública de contraponto a Allyson.

Apresentar problemas em conta-gotas e dispersos não trará resultado algum para a oposição. Toda gestão tem suas falhas, algo que é reconhecido pelos próprios populares que apoiam um determinado governo. A falta de norte na oposição só torna a vida do prefeito mais fácil.

Com o principal suporte oposicionista, o Partido dos Trabalhadores (PT), não abrindo diálogo e espaços na estrutura do Governo do Estado com os ainda não alinhados com o Palácio da Resistência, sede da municipalidade, a oposição se torna mais isolada. Sem ter o que oferecer, acaba afugentando possíveis aliados.

No jargão dos analistas e jornalistas de política americana, existe um termo denominado de ‘sólido’, que classifica quando uma corrida é segura, não sendo passível de observação. No ritmo que a campanha municipal do próximo ano vai caminhando, Allyson tende a tornar seu assento seguro. O prefeito é querido pelo povo e tem simpatia entre diferentes segmentos sociais. A missão para derrotá-lo trará como inclinação a desistência de nomes que o enfrentem na contenda majoritária.

*João Paulo Jales dos Santos, cientista social e historiador.


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