Artigo: Neocoronelismo

por Manoel Gregório da Costa “O Ministério Público de Mato Grosso abriu um inquérito contra o prefeito de Tapurah, Carlos Alberto Capeletti (PSD), pela acusação de compra de votos e propaganda irregular em favorecimento da campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL), que busca a reeleição. O gestor anunciou em vídeo o sorteio de um carro…

por Manoel Gregório da Costa

“O Ministério Público de Mato Grosso abriu um inquérito contra o prefeito de Tapurah, Carlos Alberto Capeletti (PSD), pela acusação de compra de votos e propaganda irregular em favorecimento da campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL), que busca a reeleição. O gestor anunciou em vídeo o sorteio de um carro caso a cidade atingisse o maior índice de apoio do estado ao atual presidente nas urnas”.

Essa notícia, divulgada no último dia 11 de outubro pelo portal MinutoMT, é um espelho de como tem se desenhado a campanha de Bolsonaro no segundo turno. Com a necessidade de tirar uma diferença de aproximadamente 5 milhões de votos, o atual presidente entrou no modo vale-tudo agindo como um cavalo sem rédeas. É por isso que a divulgação de fake news, o uso da máquina pública e o toma lá dá cá com prefeitos e empresários têm acontecido à luz do dia, em acachapante destruição das regras do jogo democrático.

As falsas notícias voltaram a ser o motor da campanha bolsonarista. Não existe Tribunal Superior Eleitoral que dê jeito. A divulgação de fake news sobre Lula e o PT acontece de forma massiva. Contendo delírios de todos os tipos, elas partem de um circuito de produção de desinformação comandada por um dos filhos do presidente e são despejadas nas redes sociais pelos eleitores do capitão. As decisões do TSE não surtem efeito. Fazem o papel de alguém que tenta tirar com balde o esgoto que invade um rio. São mentiras capazes de encabular até nosso Senhor Jesus Cristo.

Não é de agora que a máquina estatal vem sendo utilizada por Bolsonaro para turbinar sua campanha. Basta lembrar da antecipação do Auxílio Brasil, da criação do Auxílio Caminhoneiro e da liberação de bilhões de reais em emendas parlamentares pela via do orçamento secreto. Mas depois do primeiro turno, esse tipo de prática ganhou novo fôlego com o anúncio do aumento do Auxílio Brasil, do desconto, pela Caixa Econômica Federal, de dívidas de 4 milhões de devedores, e da antecipação do pagamento do auxílio caminhoneiro e taxista. Tudo isso configura crime eleitoral por abuso de poder econômico. Mas a turma faz de conta que não vê.

Já as denúncias de compra de voto, de trabalhadores que estão sendo ameaçados de perder o emprego caso não digitem 22, de boicote ao sistema de transporte no dia das eleições, e de empregados que serão obrigados a trabalhar durante a votação, são tantas e tamanhas que o PT teve que levar o assunto ao TSE para tratar, nas palavras do senador Jean Paul Prates, do “neocoronelismo de padaria”.
A verdade é que os diabinhos travestidos de patriotas estão por aí urrando conversa fiada por todos os lados, intimidando trabalhadores e triturando os cofres do Brasil. Tudo para garantir que no próximo dia trinta o país continue a ser o castelinho de meia dúzia de cidadãos de bem.


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