Às vésperas da eleição, crise cambial se intensifica na Argentina

À medida que se aproximam as eleições presidenciais argentinas, a preocupação com a desvalorização do peso nacional tem levado muitos cidadãos a trocar seus pesos por dólares.

À medida que se aproximam as eleições presidenciais argentinas, a preocupação com a desvalorização do peso nacional tem levado muitos cidadãos a trocar seus pesos por dólares. Na última segunda-feira, 9, essa tendência ganhou impulso, com o dólar blue – a cotação do mercado paralelo – subindo 65 pesos, valor próximo à variação total de 70 pesos registrada em setembro.

Extremista de direita chama peso argentino de “excremento”

Javier Milei, candidato ultradireitista favorito à presidência, fez declarações polêmicas, aconselhando os argentinos a não manterem suas rendas fixas em moeda nacional. Em uma entrevista a uma emissora de rádio local, Milei expressou seu desprezo pelo peso, referindo-se a ele como “excremento”.

De acordo com o economista Martín Kalos, diretor da EPyCA Consultores, a corrida cambial é impulsionada por uma combinação de fatores, incluindo a ascensão do dólar no mercado global, excesso de pesos na economia argentina e incertezas sobre a política econômica do próximo governo. Além disso, as promessas de Milei sobre dolarização e suas declarações recentes intensificaram essa tendência.

Kalos projeta que uma dolarização completa exigiria uma cotação de pelo menos 3 mil pesos por dólar. Outro economista, Matías De Luca, da consultora LCG, acredita que a corrida cambial atual é uma reação antecipada à possível vitória de Milei.

A história da Argentina com o dólar

O trauma de crises financeiras recorrentes levou muitos argentinos a verem o dólar como um refúgio contra a desvalorização do peso. Estima-se que os argentinos detenham entre US$ 200 bilhões e US$ 400 bilhões fora do sistema financeiro do país, seja em divisas estrangeiras na Argentina ou no exterior.

Para evitar a saída de dólares, o governo limitou a compra da moeda a 200 dólares mensais por pessoa ao câmbio oficial. Apesar dessas medidas, a cotação MEP, controlada pelo governo, saltou de 820 para 839 pesos na segunda-feira.


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