Assessor de Bolsonaro possuía documentos que comprovam plano de golpe em 2022

A revista “Veja” divulgou documentos que comprovam a intenção de grupos militares em anular as eleições presidenciais de 2022, destituir ministros do STF e instaurar intervenção militar no Brasil. Os documentos foram encontrados no celular do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, os arquivos não mostram apoio do Alto…

A revista “Veja” divulgou documentos que comprovam a intenção de grupos militares em anular as eleições presidenciais de 2022, destituir ministros do STF e instaurar intervenção militar no Brasil. Os documentos foram encontrados no celular do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, os arquivos não mostram apoio do Alto Comando das Forças Armadas nem de Bolsonaro a esse plano.

O documento principal, intitulado “Forças Armadas como poder moderador”, lista oito etapas para a execução do plano, sem explicar como seria obtido o apoio institucional necessário. Entre as etapas estão a nomeação de um interventor federal, a suspensão de atos do Poder Judiciário, a substituição dos ministros do TSE afastados e a realização de novas eleições.

Os arquivos encontrados indicam que o plano se baseava na tese de que a derrota de Bolsonaro nas eleições teria sido causada por decisões “inconstitucionais” dos ministros do STF e do TSE durante a campanha eleitoral. Os documentos afirmam que essas ações teriam influenciado o resultado eleitoral em favor de determinado candidato.

Um segundo documento encontrado sugere a hipótese de decretação do estado de sítio, citando o ministro Alexandre de Moraes como justificativa. O texto argumenta que Moraes não poderia ter presidido o TSE devido a vínculos com Geraldo Alckmin.

As mensagens trocadas entre Mauro Cid e o coronel Jean Lawand Junior, subchefe do Estado-Maior do Exército, mostram a sugestão de que Bolsonaro desse a ordem para as Forças Armadas agirem. No entanto, não há indícios de como obteriam o apoio popular e das Forças Armadas para anular as eleições. As mensagens deixam claro que Bolsonaro não estava propenso a seguir esse tipo de plano.

Embora uma minoria dos militares tenha expressado apoio a ações contra o resultado das eleições de 2022, as mensagens reveladas não indicam que a alta cúpula das Forças Armadas ou o ex-presidente Bolsonaro tenham respaldado essa ruptura institucional. Bolsonaro nega ter tido a intenção de seguir nessa direção.

O relatório da PF também mostra mensagens da esposa de Mauro Cid, Gabriela Cid, convocando apoiadores de Bolsonaro para “invadir” Brasília e defendendo a adoção do voto impresso. Ela também faz críticas ao ministro Alexandre de Moraes.

Além disso, Mauro Cid participava de um grupo de WhatsApp chamado “Dosssss!”, que incluía militares da ativa. O relatório não identifica esses militares, mas menciona mensagens e uma ameaça a Alexandre de Moraes.


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