Carnaval sepultou a candidatura de Joana Guerra à prefeitura de Natal

Nem todos os esforços do prefeito Álvaro Dias, ou mesmo sua crescente aprovação popular, foram capazes de tornar a secretária um nome com apelo junto ao eleitorado.

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Sonho de rei, de pirata e jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira

Martinho da Vila

Álvaro Dias (REP) plantou ano passado uma ideia na cabeça de sua secretária de Planejamento, Joana Guerra, que por lá criou profundas raízes: a de que ela poderia ser sua candidata à sucessão na prefeitura de Natal.

Mas, num país ainda majoritariamente católico, a alegoria da quarta-feira de cinzas se fez novamente fatal.

Joana desfilou ao lado do chefe e padrinho político nos quatro cantos da cidade, aproveitando a boa onda criada pelo grande carnaval que a prefeitura promoveu este ano em nossa cidade.

Nada disso salvou a ideia do ostracismo. Joana não capturou mentes e corações entre os eleitores, nem mesmo entre aqueles mais leais e à serviço do prefeito.

A pá de cal em sua natimorta candidatura aconteceu ainda antes da entrega das chaves da cidade ao rei momo. Foi a pesquisa AgoraSEI, divulgada pela 96 FM na noite do último dia 9.

Joana Guerra aparece com 0,8% das intenções de voto. Na estimulada! Natal tem cerca de 580 mil eleitores. Numa conta rápida, isso daria a Joana 4,6 mil votos. É menos que o número de empregados terceirizados da prefeitura e mal cobre o contingente de cargos comissionados do executivo municipal.

Com esse percentual, a secretária teria dificuldade até para se eleger vereadora, a depender da legenda.

Mas o pior nem sequer é a baixa adesão que ela conquistou. Os mais otimistas diriam que o prefeito ainda não anunciou sua candidata e que o fato a alavancaria nas pesquisas.

Primeiro, indagamos: o que falta para ficar claro a todos a preferência de Álvaro por Joana Guerra? Que ele a anuncie nos palcos dos festejos carnavalescos? Pois foi esta a única novidade a acalentar os planos de Joana nesta semana de folia.

Joana gastou em outdoors, tomou pra si o símbolo da abelhinha, circulou por onde pode e tudo fez dentro do a lei a permite numa pré-campanha (talvez até mais). E nada. Na verdade, se fosse realmente nada, ela estaria em melhor situação.

O trágico neste sonho que se faz na quarta-feira de cinzas são os números da rejeição de Joana Guerra, obtidos pela mesma pesquisa.

21,3% dos eleitores natalenses declararam que não votariam na secretária de Álvaro Dias. É mais de 26 vezes o percentual de suas intenções de voto. Parece que o nome de Joana de fato conquistou a cidade, e a reação foi negativa.

Entre os baixos escalões da prefeitura, nota-se um crescente ranço dos militantes profissionais com a dileta do prefeito. Entre os altos escalões, nota-se um silêncio que provavelmente esconde do patrão um sentimento parecido.

Joana Guerra partiu para o ataque com tudo o que tinha. Se fez conhecida e venceu a batalha pela preferência do prefeito em sua sucessão. Foi um belo sonho, que se acabou na quarta-feira de cinzas.


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