Conflitos raciais nos EUA se acentuam com reação dos conservadores

O julgamento de Payton Grendon, um jovem americano de 19 anos que matou 10 pessoas em um supermercado na cidade de Buffalo, no Estado de Nova York, em 14 de maio de 2022, reacendeu a polêmica em torno do racismo estrutural nos EUA. Grendon foi condenado à prisão perpétua após um julgamento carregado de fortes…

O julgamento de Payton Grendon, um jovem americano de 19 anos que matou 10 pessoas em um supermercado na cidade de Buffalo, no Estado de Nova York, em 14 de maio de 2022, reacendeu a polêmica em torno do racismo estrutural nos EUA. Grendon foi condenado à prisão perpétua após um julgamento carregado de fortes polêmicas.

Além de transmitir o ataque pela internet, Grendon publicou um documento de 180 páginas onde explicou que seu objetivo era “assustar o maior número possível de pessoas não brancas e não cristãs” para que elas saíssem dos Estados Unidos. Entre os muitos argumentos que usou como justificativa para seu crime, Grendon destacou um suposto plano arquitetado pelos “judeus para substituir a raça branca”.

Embora pareça – e tenha tudo para ser – loucura àqueles que têm uma mente sã, as ideias de Grendon são uma triste realidade no mundo atual. Enquanto muitos não têm disposição de enfrentar abertamente o antirracismo, crescem os ataques laterais, que visam a desacreditar teorias que que lhe dão suporte.

Um desses ataques se dá à teoria crítica da raça (CRT, da sigla em inglês).

Ataques à teoria crítica da raça

Ganhando cada vez mais influência no debate político interno, ela tem gerado muitas controvérsias nos Estados Unidos. A crítica principal é que a teoria racial crítica está no centro dos choques culturais no país. A teoria crítica racial busca explicar as razões por trás das desigualdades educacionais entre alunos negros e alunos brancos.

Muitos conservadores acreditam que a teoria crítica da raça é a pior ameaça ao modo de vida americano. Políticos e comentaristas conservadores culpam essa teoria por “criminalizar a população americana branca e aprofundar as divisões raciais”. A teoria recebeu críticas inclusive da Casa Branca em 2020, durante a presidência de Donald Trump. Em um memorando, os órgãos federais foram proibidos de investir recursos em treinamento na área, por considerá-la uma teoria “divisiva” e “antiamericana”.

A controvérsia surge em torno do CRT por sua aplicação para explicar outras desigualdades estruturais da sociedade. A teoria é vista por alguns de seus críticos como uma ameaça aos direitos básicos da sociedade liberal, como a liberdade de expressão, gerando críticas de setores conservadores.

Isso tem resultado em projetos de lei que buscam proibir o ensino da teoria em escolas. A própria tentativa de proibição do ensino da teoria nas escolas mostra o quanto ela ainda é importante e incomoda os setores mais conservadores da sociedade.

O que diz a teoria

A teoria crítica da raça, surgida na segunda metade do século XX, busca explicar as desigualdades raciais nos Estados Unidos e é aplicável a outros tipos de discriminação. Seus defensores afirmam que a discriminação racial não é um problema que existe apenas dentro do indivíduo, mas que foi transferido para as estruturas sociais em que vivemos, como instituições ou leis.

Ela tem sido usada para explicar as desigualdades existentes entre raças, gêneros ou entre identidades sexuais, e tem sido uma influência fundamental para movimentos como o #MeToo, sempre entendendo as desigualdades como problemas sistêmicos.

Há sólidos e numerosos fundamentos que embasam essa teoria, cujos estudos que vem inspirando apresentam resultados importantes no esclarecimentos de muitos dos males atuais de nossa sociedade.

OS defensores da teoria argumentam que ela é um modelo de pensamento, uma maneira de explicar a desigualdade racial e de gênero que existe em todas as escalas da vida nos EUA. Negar a teoria racial crítica significa negar que “o racismo está em todas as estruturas sociais”. E nisso claramente têm razão.

Foto: Pedro Pardo/AFP


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