‘Conservador’, que bicho é esse? História mostra que sabemos mesmo é de nada

O pensamento conservador é uma das ideologias políticas mais influentes no mundo — incluindo Brasil — nos últimos dois séculos. Mas pesquisadores ressaltam que não existe um conservadorismo, mas sim vários conservadorismos. O que torna ainda mais complexa a tarefa de definir essa corrente de pensamento que dominou a política nos últimos 200 anos ao…

O pensamento conservador é uma das ideologias políticas mais influentes no mundo — incluindo Brasil — nos últimos dois séculos.

Mas pesquisadores ressaltam que não existe um conservadorismo, mas sim vários conservadorismos. O que torna ainda mais complexa a tarefa de definir essa corrente de pensamento que dominou a política nos últimos 200 anos ao lado do liberalismo e do socialismo.

O problema é saber o que conservadores querem preservar e como, já que isso varia bastante de um país a outro e de uma época a outra.

Ainda assim, estudiosos identificam alguns pontos em comum. Entre eles, o temor a mudanças bruscas, a preservação das tradições e das hierarquias, o nacionalismo, a proteção da família e as bases religiosas.

Mas quando o conservadorismo surgiu?
Especialistas apontam raízes do conservadorismo em pensadores da Antiguidade como o filósofo grego Aristóteles, que considerava a experiência humana transmitida por gerações como a principal fonte de conhecimento, e o filósofo chinês Confúcio, com sua atitude cautelosa sobre mudanças nas instituições.

Mas o conservadorismo só seria organizado como uma ideologia no século 18, em reação a grandes mudanças como a Revolução Francesa.

As bases do que seria o conservadorismo seriam lançadas pelo filósofo e político irlandês Edmund Burke. Ele se opunha tanto a reacionários (que defendem voltar a um passado supostamente superior) quanto a revolucionários (que pregam a derrubada da ordem social e da hierarquia vigentes em troca de um suposto benefício futuro).

Um dos principais pensadores do conservadorismo, o filósofo americano Russell Kirk, dizia que valores como ordem, justiça e liberdade, por exemplo, são resultado de séculos de experimento, reflexão e sacrifício. Para ele, isso faz da sociedade uma espécie de corporação espiritual como uma Igreja, uma comunidade de almas, e a religião, junto da família e da educação, estaria na base cultural de uma sociedade sadia.

Toda essa ideologia conservadora foi desaguar naquilo que muitos pesquisadores chamam de ”neoconservadorismo”, corrente surgida no século 20 nos Estados Unidos como uma reação ao avanço da esquerda.

Houve uma espécie de união entre diversos grupos de direita, como cristãos evangélicos, intelectuais que se afastaram do liberalismo, defensores da família tradicional e de leis mais duras, grandes empresas e militares anticomunistas.

Nesta mistura de pessoas e ideias, a religião passou a ter um papel bastante importante, e a direita cristã se tornou a coluna cervical do neoconservadorismo. Inclusive no Brasil.

A fase atual conservadora no país não ficou restrita, obviamente, a questões morais ou religiosas.

Nas últimas duas décadas, os conservadores brasileiros ampliaram suas bases de apoio também com a defesa de bandeiras e propostas como oposição à reforma agrária, políticas linha-dura contra criminosos e defesa da propriedade privada.

Críticos alegam que conservadores desfrutam de forma egoísta de seus recursos e privilégios enquanto resistem a mudanças sob a promessa de um futuro melhor. Tudo isso às custas das minorias e dos mais pobres.


Comments

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *