Cotado para a Petrobras, senador Jean Paul defendeu políticas de Paulo Guedes para a empresa

O senador Jean Paul Prates tem sido especulado para assumir a presidência da maior estatal brasileira, a Petrobras. E ele tem se esforçado para manter essa ideia viva. Em comício com Lula em Natal, no 1º turno, Jean chegou a estrear no palanque petista com o macacão laranja da estatal. A dúvida que resta diante…

O senador Jean Paul Prates tem sido especulado para assumir a presidência da maior estatal brasileira, a Petrobras. E ele tem se esforçado para manter essa ideia viva. Em comício com Lula em Natal, no 1º turno, Jean chegou a estrear no palanque petista com o macacão laranja da estatal.

A dúvida que resta diante da possível nomeação de Jean Paul é sobre qual das muitas faces do senador seria aquela a assumir a Petrobras. A do recente militante, revelado após o 1º turno das eleições, ou a do exitoso defensor dos interesses do mercado, que marcou sua longa carreira política e de articulador empresarial.

No senado, Jean Paul foi relator do projeto de Lei n° 1472, de 2021, que trata das “diretrizes de preços para diesel, gasolina e gás liquefeito de petróleo – GLP, cria Fundo de Estabilização dos preços de combustíveis e institui imposto de exportação sobre o petróleo bruto”.

Duas políticas essenciais do ideário de Paulo Guedes (que levaram à elevação exorbitante do preço dos combustíveis no Brasil) foram reafirmadas e fortalecidas pelo texto relatado por Jean Paul.

A primeira trata da manutenção do PPI (Preço de Paridade Internacional), que na prática dolariza o preço dos combustíveis no Brasil e garante grandes lucros para os acionistas.

Assim consta no texto do PL:

“Art. 68-F. Os preços internos praticados por produtores e importadores de derivados do petróleo deverão ter como referência as cotações médias do mercado internacional, os custos internos de produção e os custos de importação, desde que aplicáveis”.

Os preços da Petrobras costumavam ser a média entre custo de produção interna e petróleo importado a fim de complementar os estoques. Em 2021, o custo médio de extração de petróleo e produção de derivado da Petrobras foi de R$ 114,89 por barril. Mas a estatal vendeu o barril no mercado brasileiro a R$ 416,40 cada. Um ágio escandaloso de R$ 301,51 por barril.

Outro ponto nocivo do PL é que pelo texto todo o custo por possíveis intervenções federais no preço dos combustíveis recairá sobre a arrecadação do Governo Federal. Acionistas e especuladores seguirão recebendo fortunas às custas do consumidor brasileiro.

A atuação pregressa de Jean Paul deixa grandes dúvidas sobre o futuro da empresa caso se confirme seu desejo de ser nomeado pelo presidente Lula. Ao longo da semana, publicaremos uma série de reportagens sobre o PL n° 1472 e a atuação política, empresarial e parlamentar do senador potiguar que poderá ter papel central na política econômica do próximo governo. Acompanhe.


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