Crônica: Opala branco 73

Minha obsessão – e o desgosto de minha esposa – é um Opala Branco 1973. Antes de morrer, compro um. Anotem aí. Carro novo e sofisticado é sonho de menino novo.

Minha obsessão – e o desgosto de minha esposa – é um Opala Branco 1973. Antes de morrer, compro um. Anotem aí. Carro novo e sofisticado é sonho de menino novo. Menino velho sonha com carro velho.
Tenho incontáveis amigos que sonham com Maverick’s, Fuscas e até mesmo um que namora um Fiat 147. De alguma forma, eu na minha lotação e meus amigos – melhor servidos – em seus carros populares, todos nós sonhamos mesmo é com aquele carro velho que nos traz lembranças de coisas que gostaríamos de ter feito.

Meu pai teve um Opala branco 73. Era espaçoso como só ele. Meu irmão e eu brincávamos dentro do Opala como se estivéssemos em um parque de diversões. Hoje, mais velho um pouco, sei de uso mais interessante para o grande espaço do possante branco – em outra companhia, claro!

Os anos passaram e muitos de nós hoje têm filhos, esposas e responsabilidades de toda ordem. Mas todos nós sonhamos com algum carro velho, onde dirigiríamos nossas vidas livres e senhores de nosso desejo, sem as angústias e aflições de nosso mundo desumano e injusto.

Aos 8 anos eu já era socialista. Mas não sabia disso ainda. Porque na época, minha Cuba era um Opala branco 73.


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