Direita não encontra seu caminho na corrida pela sucessão de Álvaro Dias

Pré-candidatura de General Girão é o mais recente movimento da direita ideológica em busca de se firmar como alternativa para 2024 em Natal. Contudo, há limites claros para o avanço desse projeto.

Nas últimas semanas, dois movimentos da direita potiguar sinalizaram a estratégia do segmento para as eleições de 2024 em Natal.

De um lado, o senador Rogério Marinho (PL) pressionou o prefeito Álvaro Dias (REP) para que se posicionasse em apoio a um candidato do campo direitista.

Do outro, o deputado federal General Girão, também do PL, ensaio o lançamento de sua pré-candidatura à Prefeitura de Natal.

Ambos os movimentos têm poucas perspectivas de êxito. O principal motivo é que as análises político-eleitorais feitas em âmbito nacional dificilmente se aplicarão a Natal.

Os analistas políticos do país – entre eles craques como João Santana – preveem uma eleição nacionalizada, repetindo a polarização esquerda/direita que deu o tom das duas últimas eleições presidenciais.

Natal não tem tradição de voto ideológico para a Prefeitura. Se esse critério pesa em proporções variáveis para as eleições estaduais, na municipal a cidade costuma se interessar pela gestão cotidiana.

Assim morreria a esperança da direita ideológica potiguar de polarizar a disputa.

Outro fato é a própria baixa aderência de Girão junto ao eleitorado. Sua expressiva votação para deputado federal na capital potiguar se deu, exatamente, pelo tom ideológico que muitos eleitores consideram na hora de escolher seus deputados.

Mas nesse caso foi uma eleição proporcional para o Congresso Nacional. Nada mais incauto que traduzir isso em potencial eleitoral na corrida pela Prefeitura.

Girão não tem imagem de administrador e teve um primeiro mandato apagado na capital, em termos de realizações concretas. Seu eleitorado em 2022 veio de duas fontes principais: bolsonaristas e pessoas influenciadas de diversas formas pelos grandes volumes de recursos federais aplicados no estado.

Para a Prefeitura de Natal, falta à direita ideológica um nome forte. E é de nomes, não de ideologias, que se costumam fazer nossos vencedores locais.

Girão não reúne o repertório do administrador que a cidade costuma procurar. Não possui uma base eleitoral que extrapole seus redutos identitários. A tentativa de emplacar sua candidatura é apenas um claro sinal de que a direita ideológica está fora do párea das municipais de 2024 em Natal. O mesmo poderíamos dizer da esquerda ideológica, mas isso é tema para outro artigo.


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