Dossiê “O RN e o petróleo”: A história continua a ser feita e escrita

Encerrou-se no último sábado a série de 5 reportagens especiais, escritas por nós e publicadas pelo Agora RN. Antes de avançar para uma exposição de nossas motivações, cabe fazer justiça registrando que o trabalho mais difícil na produção da série ficou por conta de nossos colaboradores anônimos e do editor do Agora RN, Thiago Rebolo.…

Encerrou-se no último sábado a série de 5 reportagens especiais, escritas por nós e publicadas pelo Agora RN. Antes de avançar para uma exposição de nossas motivações, cabe fazer justiça registrando que o trabalho mais difícil na produção da série ficou por conta de nossos colaboradores anônimos e do editor do Agora RN, Thiago Rebolo.

Nossos relatos mostram que pesam sobre o processo de desinvestimentos da Petrobras no RN indícios de que parte significativa dos atos não respeitaram o ordenamento legal e jurídico, além dos graves conflitos de interesses, manifestos principalmente na atuação do presidente do Conselho de Administração da 3R Petroleum, o ex-presidente da Petrobras Roberto Castello Branco.

Os fatos que revelamos até aqui, a bem da verdade, já eram de domínio público, exceto algumas poucas novas informações que surgiram durante a apuração. A Petrobras, a justiça e os órgãos de fiscalização e controle foram informados, muito antes, de tudo o que viemos a publicar.

Iniciando suas operações em nosso estado nos anos 1980, a Petrobras chegou a responder por mais de metade do PIB industrial do RN. Já em 2021, somadas, a produção de biocombustíveis, gás, petróleo e seu derivados representou 32,9% do produto econômico do setor. E a tendência é de que essa queda se acentue nos próximos anos, com a retirada da Petrobras de nossos campos.

Há grandes esperanças no ar, dizendo que tudo vai se ajeitar. Esperanças de retomadas e investimentos vultuosos. Enquanto nos alegramos com os anúncios semanais das maravilhas que nos esperam, contudo, o estado empobrece e seus problemas sociais se agravam.

Os acordos firmados e reafirmados entre grandes corporações e nossos governos, em todos os níveis, determinam o futuro de milhões de brasileiros. E se considerarmos a democracia como a capacidade real de um povo de decidir os rumos de seu país, talvez estejamos, enquanto esses negócios bilionários ocorrem sob sigilo restrito, diante uma ameaça democrática bem mais perniciosa que aquela dos espantalhos contra os quais lutamos.

E o que isso tem a ver com a história que vimos contando sobre a compra do Polo Potiguar pela 3R Petroleum? Ambas as trajetórias nos parecem se alimentar mutuamente. Os processos políticos e institucionais permitem o decurso observado na vida da Petrobras no RN e sua substituição pela 3R. Os movimentos empresariais e econômicos, por sua vez, têm os meios e os agentes para realimentar o movimento político e institucional.

Se nosso destino é decidido em cláusulas obscuras de contratos sigilosos, que ao menos lutemos com as informações disponíveis, que são poucas, e muitas vezes obtidas a custos pessoais elevados. Que saibamos dos fatos, antes de consentir. É por isso que em breve voltaremos com novas informações.


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