Efeitos colaterais da crise da educação estão cada vez piores

Os dados do estudo realizado pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional) com base no Saebe (Sistema de Avaliação da Educação Básica) de 2021 apontam para uma defasagem no aprendizado do conteúdo do ensino médio, com destaque para a disciplina mais polêmica entre os estudantes: matemática. O estudo aponta que, entre os 2 milhões…

Os dados do estudo realizado pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional) com base no Saebe (Sistema de Avaliação da Educação Básica) de 2021 apontam para uma defasagem no aprendizado do conteúdo do ensino médio, com destaque para a disciplina mais polêmica entre os estudantes: matemática.

O estudo aponta que, entre os 2 milhões de estudantes que se formam no ensino médio público, apenas 5% (100 mil estudantes) têm o aprendizado considerado adequado. Os debates pedagógicos são de extrema importância para transformar este cenário, e, é claro, é preciso pensar em práticas que propiciem melhor aprendizado ao discente.

Por outro lado, façamos aqui um paralelo com outros dados do Iede. Também com base no Saebe, eles apontam que quem faz o ensino técnico (ensino profissionalizante) tem um desempenho melhor. Nesse âmbito, o levantamento do Iede conclui que 18% dos estudantes apresentam o conhecimento adequado. A porcentagem ainda é muito baixa, mas apresenta uma melhora e aponta uma das raízes dos problemas da educação pública.

A estrutura disponibilizada para um estudante do IFRN, uma das instituições de referência no ensino médio profissionalizante, é muito superior à da maioria das escolas estaduais de ensino médio. Bibliotecas, laboratórios, políticas de assistência e permanência estudantil, setor médico, além das possibilidades de integração artística e desportiva — há todo um aparato pensado para garantir o pleno desenvolvimento do estudante na instituição.

Como noticiamos aqui no blog, essa estrutura também está ameaçada com os cortes do Governo Bolsonaro. Mas se a situação já é grave numa instituição de referência, imaginem como devem estar as escolas que não recebem a mesma atenção. O ensino público está num ponto crucial, em que se precisa pensar em políticas públicas de reconstituição e avaliação do que está sendo feito e aplicado até agora.


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