Em Ron DeSaints os líderes republicanos depositam seus sonhos

Da Flórida, o novo puxadinho de Jair Bolsonaro, vem a principal ameaça à indicação de Donald Trump pelo partido Republicano na presidencial do próximo ano. O governador do estado, Ron DeSaints, surge como principal concorrente à tentativa do ex-presidente de retornar à Casa Branca. DeSaints surpreendeu ao ser reeleito, no ano passado, com quase 60%…

Da Flórida, o novo puxadinho de Jair Bolsonaro, vem a principal ameaça à indicação de Donald Trump pelo partido Republicano na presidencial do próximo ano. O governador do estado, Ron DeSaints, surge como principal concorrente à tentativa do ex-presidente de retornar à Casa Branca.

DeSaints surpreendeu ao ser reeleito, no ano passado, com quase 60% dos votos, numa corrida que de início foi classificada como ligeiramente competitiva. Eleito em 2018 com uma diferença de menos de 1% dos votos, DeSaints transformou a Flórida, um dos principais estados indecisos nas eleições presidenciais, num bastião reluzente do conservadorismo americano.

Num dos estados mais diversos do país, onde latinos e negros são populações acima da média nacional, DeSaints conseguiu um feito em sua reeleição, tornou a Flórida o único estado em que os latinos em sua maioria apoiaram um republicano para o governo.

Ron promoveu uma ofensiva agenda conservadora, aprovando um profundo corte de impostos, financiando militantes e influenciadores de ultradireita, implementando uma agressiva guerra cultural que conservadores ansiavam há anos. A truculência republicana foi tamanha que estudos sobre racismo, orientação sexual e identidade de gênero foram proibidos no currículo estadual.

Esqueça o Texas, o mais novo lar queridinho dos conservadores americanos é a Flórida, chamariz das lideranças ultradireitistas mundiais.

A tarefa de Ron em destronar Trump nas primárias republicanas não será fácil, a mais recente pesquisa do instituto Morning Consult aponta que o ex-presidente lidera entre os eleitores do partido por 48% contra 31% do governador. Há expectativas de que DeSaints, em meados do ano, anuncie sua pré-candidatura, possibilitando aumentar sua credencial de elegibilidade. Esse foi o emblema que deu a vitória a Biden entre os democratas em 2020, junto a uma base partidária que Trump, nos últimos 7 anos, tornou ainda mais radicalizada.

O establishment republicano sabe que com Ron as chances de retornar a Casa Branca são maiores. O governador é um Trump palatável e um George W. Bush incendiário, reunindo créditos que podem levar os democratas à derrota caso o governo Biden continue popularmente vacilante.

Resta saber se DeSains sobreviverá a Trump, que, por mais que ande enfraquecido depois das derrotas de seus candidatos nas eleições de meio de mandato de 2022, ainda é fervorosamente amado por uma densa gama de eleitores republicanos.


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