Entrevista com Luciana Lima, do movimento sindical dos professores

O Blog do Girotto conversou com a professora Luciana Lima para entender um pouco melhor a situação dos movimento dos trabalhadores da educação em nosso estado e a situação geral dos educadores da rede pública estadual.

O Sinte-RN, que representa professores e servidores das redes públicas estadual e municipais ganhou os noticiários devido à greve recente pela implantação do piso do magistério. Contudo, o sindicato vem tendo posição dúbia acerca da inclusão de merendeiras, pessoal administrativo e outros no Projeto que estabelece o reajuste para os projetos, que tramita na Assembleia.

Para Luciana, a atual direção do sindicato tem se mantido dependente das pautas do governo, o que já ocorria em governos anteriores. Ela menciona que o movimento sindical tem tido uma tendência de construir alianças com partidos de direita, o que, na sua opinião, enfraqueceu a luta dos professores. “Não fazia a luta da forma como realmente deveria ser, com firmeza. A gente percebia muita vacilação”, afirmou Luciana.

“A categoria criou uma expectativa em relação ao governo, e se decepcionou quando viu que não é bem assim.

Luciana Lima,
Líder do sindical de professores.

A professora avalia ainda que “Essa direção já vem há um certo tempo muito ligada, muito presa aos governos. Não é só o governo Fátima agora. A medida que o PT fazia alianças com outros partidos, começou a construir alianças com partidos de direita”, afirmou. Luciana destaca que esta proximidade limitou a capacidade do sindicato de lutar efetivamente pelos interesses dos professores. “Não fazia a luta da forma como realmente deveria ser, com firmeza. A gente percebia muita vacilação”, ressaltou.

Luciana também nota que o alinhamento entre a direção do sindicato e os governos ficou mais evidente durante o governo do PT. “Com o governo do PT, isso ficou muito mais claro. A base tinha uma expectativa em relação ao governo do PT, ao governo de Fátima Bezerra. E aí no momento em que o governo não atende a essas expectativas, aí se percebe com clareza esse fato nos posicionamentos da direção”, disse.

Falando sobre a época em que o petista Fernando Mineiro era o líder do governo de Robinson Faria, e quando o ex-dirigente sindical do PT, Chagas Fernandes, foi secretário de educação, Luciana acredita que o movimento conseguiu “construir uma narrativa de luta, de enfrentamentos e de conquista”. Mas mesmo nessa época, ela já via sinais de uma relação cada vez mais próxima com o governo: “Chagas entra na secretaria e começa a atender a algumas demandas que estavam aqui há muito tempo, a categoria vinha lutando e não tinha conquistas, ele começa a atender aos poucos algumas demandas. E isso faz com que a categoria dê uma esfriada”.

Com a chegada de Fátima Bezerra, uma professora, ao governo, Luciana destaca que houve uma alta expectativa de que as demandas dos professores seriam atendidas sem a necessidade de greves. “A categoria criou uma expectativa em relação ao governo, e se decepcionou quando viu que não é bem assim”, revelou, destacando o desapontamento que os professores sentiram quando essas esperanças não foram atendidas.

O ponto de vista de Lima fornece uma perspectiva importante e muitas vezes negligenciada sobre o estado do movimento sindical dos professores e a situação da educação no Rio Grande do Norte. Suas palavras sublinham os desafios contínuos de representar efetivamente os professores e a necessidade de um sindicato forte e independente capaz de lutar de forma decisiva pelas necessidades da categoria.

Perguntada sobre alegações de professores que estariam sendo assediados por agentes do governo, Luciana expressou preocupação com a forma como a direção do sindicato tem lidado com a categoria e mencionou denúncias recebidas, indicando um ambiente de tensão e medo.

Em relação à gestão do sindicato e o compromisso com a categoria, Luciana criticou a direção, alegando que a mesma vem atendendo os interesses da categoria apenas de forma parcial e lenta, resultando em uma falta de conquistas significativas. Sobre a questão do piso salarial, ela acredita que a demora na aprovação se deve a um desinteresse do Governo do Estado. Também criticou a recusa do sindicato e do governo em apoiar a emenda do deputado Nelter Queiroz, que ampliaria o piso para outros servidores da educação, além dos professores.

Para Luciana, é preocupante a divisão que vem sendo criada entre os professores e os outros funcionários da educação. Ela acredita que essa divisão esteja sendo reforçada pelo governo e pelo sindicato, que em sua opinião, estaria atuando mais em favor dos interesses do governo do que da categoria. Luciana também alertou para a necessidade de se fazer mais para melhorar as condições de trabalho e o ambiente na educação, como por exemplo, a contratação de mais psicólogos e assistentes sociais.

A professora Luciana é uma voz influente no movimento sindical dos professores potiguares. Sua opinião vai ao encontro da realidade que vemos nesse movimento e da posição expressa por diversos professores com quem temos conversado. O Sinte-RN é um dos mais importantes sindicatos de nosso estado, e sua atuação merece uma atenção maior que a que vem recebendo. Sobretudo nesse momento em que sua estratégia pode excluir do piso do FUNDEB uma série de categorias da educação pública potiguar.