Estudo confirma discriminação racial no processo de seleção de empregos

Um estudo publicado na revista Socio Economic View revelou que a cor da pele e a ancestralidade afetam a possibilidade de um trabalhador ser chamado para uma entrevista de emprego na Europa. De acordo com a pesquisa, pessoas brancas têm mais chances de receber respostas positivas ao enviar currículos em comparação com indivíduos de outras cores de pele.

Os resultados mostram que 41% dos indivíduos brancos têm chance de serem chamados para uma entrevista após enviar o currículo, enquanto pretos e asiáticos possuem uma desvantagem, com 34% de chances. Aqueles considerados caucasianos de pele mais escura estão no meio, com 37% de chances. O estudo também mediu o nível de aprovação de currículos para pessoas com ascendência não europeia. Pretos de origem europeia e dos Estados Unidos têm apenas 13% de chances, enquanto pessoas com o mesmo tom de pele oriundas da América Latina possuem 19% e do Oriente Médio e África têm 16%, mostrando maiores chances de serem chamados.

O estudo foi realizado enviando cerca de 13.000 currículos falsos para empregadores na Espanha, Holanda e Alemanha entre 2016 e 2018. Os currículos fictícios possuíam as mesmas habilidades, e alguns continham fotos enquanto outros não. As imagens dos candidatos foram geradas por inteligência artificial.

Ao comparar os resultados dos três países, observa-se que as diferenças entre brancos e pretos são mais pronunciadas na Holanda e Alemanha, com uma diferença de 9 pontos percentuais na chance de ser chamado para uma entrevista de emprego. Na Espanha, a diferença é de apenas 4 pontos percentuais.

O estudo também analisou o panorama para aqueles que são descendentes de imigrantes na segunda geração nos três países. Por exemplo, na Alemanha, aqueles que têm pelo menos um progenitor de ascendência latino-americana e possuem pele mais escura têm apenas 37% de chance de receber uma resposta positiva, enquanto pessoas do mesmo grupo com origem na Europa e nos Estados Unidos têm 47%, uma diferença de 10 pontos percentuais a mais.

Os pesquisadores afirmam que a discriminação não ocorre apenas com base em características físicas, mas também avaliações baseadas na origem dos candidatos. O estudo destaca que países como Alemanha e Holanda possuem históricos mais acentuados de racismo e desigualdades sociais, influenciados por questões históricas como o período nazista na Alemanha e a escravidão de africanos nas ilhas caribenhas controladas pelos holandeses.

Os pesquisadores sugerem que a conscientização sobre o problema pode ajudar a diminuir as desigualdades. No entanto, o autor do estudo, Javier G. Polavieja, ressalta que não há uma solução fácil e que a exposição dos dados e o entendimento do contexto são passos importantes para lidar com o problema.