Ex-vereador Pedro Gorki comunica sua desfiliação ao PCdoB

Conforme o Blog do Girotto já havia adiantado, o ex-vereador de Natal Pedro Gorki deixou os quadros do Partido Comunista do Brasil. Gorki militou no Partido Comunista desde os tenros 11 anos e percorreu todo o caminho de um militante juvenil nas fileiras do partido, desde líder de sala até o Comitê Central Nacional da…

Conforme o Blog do Girotto já havia adiantado, o ex-vereador de Natal Pedro Gorki deixou os quadros do Partido Comunista do Brasil.

Gorki militou no Partido Comunista desde os tenros 11 anos e percorreu todo o caminho de um militante juvenil nas fileiras do partido, desde líder de sala até o Comitê Central Nacional da legenda.

A desfiliação da jovem liderança se dá após longo processo de discussão interna, no qual estiveram em debate os projetos da legenda para juventude e a renovação de suas lideranças políticas.

Em sua carta à militância com quem dividiu lutas por mais de uma década, Gorki afirma que conheceu “o PCdoB, a UJS e a luta política no barulho abafado dos discursos e dos ignóbeis tiros de bala de borracha da polícia que escutava ainda na barriga de minha mãe e já muito novo sonhava em ocupar as fileiras que ocuparam os meus heróis e heroínas, que não estavam nas Histórias em Quadrinhos ou nomeavam as ruas e praças que eu transitava, mas que enfeitavam a parede de minha casa e ali, com sua imagem inapagável, os revolucionários me ensinaram as mais belas lições de resistência, de coragem, de amor”.

Filho de pais comunistas, o jovem militante nasceu e se formou no seio das mobilizações populares. Agora, busca novas formas de seguir na militância política, rompendo os entraves geracionais que muitas vezes impedem a renovação nos quadros da esquerda.

A carta à militância

Confira abaixo a íntegra CARTA ABERTA À MILITÂNCIA DO PCdoB E DA UJS, de Pedro Gorki

Antes de conhecer a maioria das coisas que conheço, eu já sabia que aquele pano vermelho estampado com uma foice e um martelo era muito mais do que uma simples bandeira. Antes mesmo de decifrar o mistério das palavras, eu já sabia o que o comunismo significava, pois o enxergava no brilho do olhar daqueles desconhecidos seres que eu encontrava em meio às multidões no colo ou cangote dos meus pais e que um dia eu chamaria de “camaradas”. Antes, bem antes, de saber o que era um partido, eu já sabia que eu era parte.

Conheci o PCdoB, a UJS e a luta política no barulho abafado dos discursos e dos ignóbeis tiros de bala de borracha da polícia que escutava ainda na barriga de minha mãe e já muito novo sonhava em ocupar as fileiras que ocuparam os meus heróis e heroínas, que não estavam nas Histórias em Quadrinhos ou nomeavam as ruas e praças que eu transitava, mas que enfeitavam a parede de minha casa e ali, com sua imagem inapagável, os revolucionários me ensinaram as mais belas lições de resistência, de coragem, de amor.

O PCdoB, com sua história centenária, plantou em mim as revolucionárias sementes da inquietude e da criticidade, e é com essa herança, com esse olhar inquieto e crítico sobre as coisas, que inevitavelmente também olho para o Partido e decido seguir o mesmo caminho, agora com um novo jeito de caminhar.

As razões que fizeram eu me desfiliar do PCdoB foram devidamente encaminhadas numa carta interna aos quadros do Partido e da UJS, e minhas críticas políticas foram dialogadas com os dirigentes das duas organizações, de modo que aqui não cabe relatar aquilo que, infelizmente, me afastou do Partido Comunista do Brasil e sim o que me encantou neste coletivo que seguirei amando, mesmo de longe.

Com vocês, militantes e dirigentes do PCdoB e, em especial, da gloriosa UJS, eu aprendi quão grande é o Brasil e quão lindo pode ser seu futuro, aprendi a nutrir uma fé inabalável no povo, aprendi a amar o Ser Humano e as coisas, aprendi a teimar, esperançar e resistir. Com vocês, com quem dividi a maior parte de minha vida, aprendi o valor da unidade, aprendi que, quando juntos, somos gigantes. Aprendi que é possível mudar o mundo, que é possível fazer dele um lugar mais justo, um lugar tão bonito quanto os sonhos que carregamos. Por todo aprendizado, por todas as amizades construídas, por todas as histórias e lutas divididas, eu agradeço de todo o meu coração.

Saibam que seguiremos unidos nas trincheiras da construção do socialismo e da revolução, saibam que esse amor, por verdadeiro, não morrerá nunca e que carregarei, por onde quer que eu vá, cada camarada em meu peito.


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