Isso a gente já sabia: aulas antes das 9h fazem mal ao aprendizado

Um estudo recente publicado na revista especializada Nature Human Behaviour mostrou que aulas que começam antes das 9h da manhã prejudicam o sono dos estudantes e levam a uma menor frequência escolar em comparação com as que iniciam mais tarde.

Os pesquisadores analisaram aulas das 8h às 16h e descobriram que a presença dos alunos foi cerca de 10% menor nos cursos matutinos. Além disso, a proporção de estudantes que acordaram após o começo da aula quando o início se dava às 8h -o que os levou a perder a hora e a não conseguir acompanhar o conteúdo- também prejudicou a absorção do aprendizado.

Os cientistas avaliaram a ligação entre o horário de início das aulas e a qualidade do sono dos estudantes, fazendo três experimentos. O primeiro mediu, pelo acesso ao wi-fi do campus de uma universidade, a presença de mais de 23 mil estudantes que participavam de 337 cursos. A frequência das conexões foi aproximadamente 10% menor quando as aulas iniciavam às 8h em comparação aos cursos a partir das 9h. Os cientistas afirmam que o acesso ao wi-fi e a frequência têm associação direta em quase 100% dos casos.

O estudo conclui que exigir a presença em aulas que começam muito cedo deve ser evitado nas universidades, uma vez que há relação com um pior desempenho acadêmico. Embora estatisticamente as notas dos estudantes não tenham apresentado alterações significativas em relação ao horário das aulas, a absorção do conteúdo foi pior quando iniciadas às 8h.

O biólogo e professor Luiz Eduardo Del-Bem afirma que a pesquisa mostra o efeito acumulativo da falta de sono no desempenho acadêmico e que o efeito ainda pouco mensurado sobre o bem-estar e aprendizado que crianças e adolescentes perdem quando submetidos a cursos nestes horários.