Jean Paul reclama de jornalista, mas ele tem sido descuidado com sua comunicação

Jean Paul, até onde me recorda um amigo atento, é o primeiro presidente da Petrobras a manter contas particulares nas redes sociais durante seu mandato. Em suas redes sociais, Jean mantém rotina de candidato. Nada demais para um político. Mas é exatamente por isso que legislação brasileira proíbe dirigentes partidários e detentores de mandato de assumir postos de direção nas estatais. Para não misturar as coisas.

Jean tem publicado desde anúncio de vagas para estagiários na Petrobras até mensagens de apoio a políticos petistas. Como presidente da maior empresa brasileira, suas ações abrem margem para questionamentos quanto à independência da diretoria da Petrobras em relação aos interesses político-partidários.

Com isso não pretendo tirar Jean do jogo político. Se ele realizar o sonho de ser governador do RN, estará fazendo um bem para o estado. Há muito que não temos um governo com a visão de futuro que Jean Paul já demonstrou ter.

Pela posição que ocupa, contudo, é legítimo questionar até onde é permissivo que mantenha suas atividades políticas de forma tão descuidada.

Escrevo esse artigo intrigado pela notícia da queixa de Jean com uma jornalista que publicou declarações de conselheiros da estatal. O tom da resposta de Jean foi ameaçador: “Colunistas que se alimentam dessas fontes, e cultivam o hábito de divulgar sem checar, também terão mais dificuldades a partir das medidas que serão tomadas”, declarou o presidente da estatal. Onde fez a declaração? Aqui, em suas redes sociais.

Jean corre o risco de levar à mais importante empresa brasileira os hábitos da política partidária, o que traria grande prejuízo para um país já em difícil situação.