Multiverso, de Nildinha Freitas

Por Claudio Wagner* “A intimidade com a diferença promove reconciliação”Andrew Solomon Nildinha Freitas é natural da cidade de João Câmara/RN, distante 81,3 km da Capital Natal. Ela é historiadora, poeta e escritora, associada à Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte (SPVA/RN), autora das obras literárias: “AtentaAtiva” (2015) e “SimplesMente” (2016),…

Por Claudio Wagner*

“A intimidade com a diferença promove reconciliação”
Andrew Solomon

Nildinha Freitas é natural da cidade de João Câmara/RN, distante 81,3 km da Capital Natal. Ela é historiadora, poeta e escritora, associada à Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte (SPVA/RN), autora das obras literárias: “AtentaAtiva” (2015) e “SimplesMente” (2016), publicadas pela Editora Chiado, “EcoAr Amor” (2016) e “Dê Lírios” (2017), publicadas pela Editora CJA e seu mais novo trabalho “Multiverso” (2023), publicado pela Trairy, obra que descortinarei um pouca aqui para vocês.

Sou um apaixonado por livros e tal paixão é herança deixada pelo meu avô, conhecido como Sargento José Rodrigues nas Rocas, bairro onde morou por décadas. Ele era um leitor assíduo, lia muitos livros, de estilos e autores variados. Também fui estimulado por minha mãe, Maria do Carmo (Carminha), que com seus mais de 80 anos de vida, segue sendo uma leitora contumaz. Por que começo explicando de onde vem minha paixão pelos livros? É para que você entenda que esse texto não está sendo escrito por um expert em literatura, com conhecimento acadêmico a respeito de livros e seus gêneros, mas por um leitor, alguém com vivencia em leitura e que tem com essa um relacionamento de vida, um amor-paixão. Sem a leitura e sem os livros minha existência certamente seria monótona, fria e sem graça. Os livros deixam minha vida grandiosa, recheada de aventuras, a cada leitura que faço.

Reprodução

Ler a obra de Nildinha, em especial esse último livro, “Multiverso”, já adianto que foi muito prazeroso. Cada verso escrito pela autora pareceu se multiplica em milhões dentro mim, é como se ela tivesse terminado a grafia do poema impresso no livro, mas, num passe de mágica, esse verso continuou a se reescrever, se reinventar, se reproduzir dentro da minha alma e coração.

Ao longo das 109 páginas do livro, Nildinha levou-me à lugares que ao mesmo tempo são familiares e estranhos, inovadores, inquietantes, que reconstrói a forma como olhava para esses. As figuras de linguagem são bem arquitetadas dentro dos versos, cheguei a sentir cheiros, gostos, desgostos, amor, carinho, paixão, devoção. Enfim, fez sentir-me vivo e apto a intervir na vida, em busca de solapar os preconceitos e levar uma vida de fato plena, integrada com o outro e os vários outros possíveis.

Escolhi um trecho do poema “Porque decidimos nos casar?”, o qual foi escrito para Lorena Coutinho e Natália Daumas. Ele bem poderia ser uma ode ao amor, pois já demostra de início a importância de se registrar e fazer todo alerde quando amamos, mostrando ao universo que o amor, e somente ele, é a força que deve nos mover na vida. Leiam: “É que amor, em tempos de ódio, precisa se registrar, como símbolo de luta e de força para continuar.” (NILDINHA, 2023, p.12).

O spoiler que acabei de dar é assertivo, mostrando que Nildinha Freitas e seus poemas formam um elo poema militante, causa e vida, que não podem, e nem devem, se separar. Nesse poema, especificamente, Nildinha registra um amor oficializado em cartório, quando suas amigas se casaram. A poetisa, para homenagear as duas e o próprio amor, registra na eternidade dos versos, que voaram para o mundo. Agora, sempre que alguém abrir o livro e ler o poema, saberá que o amor é o sentimento que vencerá “os tempos de ódio”.

Em outro poema, esse chamado “Os Dedos”, fui impelido a ir no âmago da minha consciência e questionar o papel dos inquisidores, que costumam sempre julgar, apontar o dedo para alguém, imputando falhas, como se eles fossem desprovidos dessas. Vejam como a autora trabalha essa ideia nesses versos:

Os dedos que me acusam são de gente que não sabe nada de mim.
Que não conhecem minha história e torcem pelo meu fim.

(NILDINHA, 2023, p.109).

O livro todo é manifesto, se manifesta, se movimenta. Me movimentou, expandiu meus horizontes em encantamento pela grande sensibilidade poética da autora, mostrando sua capacidade de empreender no que escreve. Fui tomado pela emoção e cativado a cada nova virada de página, a cada verso. Assim sendo, resolvi escrever minhas impressões dando algumas gotas para vocês do grande mar que é a obra.

Destarte, comprem e leiam “Multiveros”, busquem a autora em suas redes sociais, e tenham a mais magnifica experiencia da vida de vocês ao ler a poesia de Nildinha Freitas.

* Claudio Wagner é Professor, Cientista das Religiões, Historiador, apresentador do videocast “A Hora da Estrela”, no Youtube. Escreveu e publicou o livro de poemas “Entre a Sombra da Razão e a Razão da Sombra”, pela CJA (2016), bem como teve participação em várias antologias literárias a nível nacional e internacional. Prefaciou a “Antologia Poética Lua Cheia”, a qual foi uma edição comemorativa dos 20 anos da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte.


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