Nome de praça na capital e de cidade no interior do estado, você sabe quem foi Pedro Velho?

Nascido em Natal no dia 27 de novembro de 1856 e falecido aos 51 anos em 1907 em Recife, Pedro Velho de Albuquerque Maranhão era médico e boticário, antes de ingressar na política. Carregava o sobrenome de uma família que marcou época na história do estado, os Albuquerque Maranhão e, dentre seus ascendentes diretos, seu…

Nascido em Natal no dia 27 de novembro de 1856 e falecido aos 51 anos em 1907 em Recife, Pedro Velho de Albuquerque Maranhão era médico e boticário, antes de ingressar na política. Carregava o sobrenome de uma família que marcou época na história do estado, os Albuquerque Maranhão e, dentre seus ascendentes diretos, seu pai fora o poderoso dono dos Engenhos Cunhaú, e, do lado materno, seu avô, trazia a herança dos fundadores de importantes municípios, como Macaíba.

Ao se aproximar dos 30 anos, Pedro Velho foi nomeado Inspetor de Saúde Pública e também Professor de História no Atheneu Norte-riograndense. Não tinha envolvimento com a política atenção — o que só ocorreria em maior grau com a queda da monarquia — mas a transição para essa fase se deu com sua participação na fundação da Sociedade Libertadora Norte-riograndense, em 1888, em que passou a se dedicar à causa abolicionista.

Uma de suas ideias mais arrojadas foi a criação do jornal “A República”, fundado no dia primeiro de julho de 1889, para divulgar as ideias republicanas entre o povo potiguar. De suas redações saíram vários governadores norte-rio-grandenses. Outra grande iniciativa, aliada a essa, foi a criação de clubes republicanos nas cidades do interior onde seu jornal deveria ser lido. Em janeiro de 1889, Pedro Velho se voltou definitivamente à causa republicana, fundando o Partido Republicano. Como um foguete, já naquele ano se tornaria o primeiro governador do estado, ao receber, em 17 de novembro (dois dias após a proclamação da República) a administração do Rio Grande do Norte das mãos do último presidente da província, Antônio Basílio Ribeiro Dantas.

A ascensão meteórica de Pedro Velho encontrou várias barreiras; entre 1889 e 1891 perdeu e recuperou o poder no estado por curtos períodos. No cargo mais importante do estado, foi muitas vezes eficaz com seus métodos de manipulação de interesses divergentes — isso porque seu governo contou com quadros dos partidos Conservador e Liberal. O particularismo das disputas nesses partidos lhe permitiu cooptar, entre outros, José Bernardo de Medeiros, “o bispo do Seridó”, chefe da maior base eleitoral dos antigos liberais, e Francisco Amintas da Costa Barros, importante líder conservador, além de obter representantes do Exército, da Armada e dos republicanos históricos em sua força.

Vale destacar que a influência de Pedro Velho na política suplantou as fronteiras dos estados. Sua força dentro do Partido Republicano lhe permitiu influenciar diversos membros do Governo Provisório na então capital do país, Rio de Janeiro, mesmo sendo de uma ala divergente da do Marechal Deodoro da Fonseca. Após dois anos de queda de braço, porém, a indicação formal de Deodoro como presidente da República pela Constituinte (25 de fevereiro de 1891) significou um duro golpe a Pedro Velho, devendo então, mais uma vez, entregar o governo do Rio Grande do Norte.

Na oposição, contudo, Pedro Velho foi implacável. Fiel ao ideário republicano e defensor da centralização partidária, arregimentou muitas lideranças descontentes com os rumos da política nacional e local. A queda de Deodoro ainda em 1891 significou, no RN, a deposição do governo e a ascensão definitiva de Pedro Velho ao cargo que lhe fora subtraído. A partir daí, com o uso extensivo da máquina estatal, ele isolou adversários — em especial José Bernardo de Medeiros e sua “facção do Seridó” —, estabeleceu uma lógica familiar de distribuição de privilégios e oportunidades, impôs sua hegemonia local às pressões advindas do presidente Floriano Peixoto e transformou a acanhada vila que chamamos de Natal numa cidade moderna para seu tempo, com ruas largas e retas. Deixou o governo em 1896, mas continuou ditando a política de local por meio de seus sucessores. Foi eleito senador no ano seguinte e reeleito em 1906, vindo a falecer em 9 de dezembro de 1907, a bordo da embarcação Brasil, quando se dirigia a Recife. A cidade que hoje leva seu nome foi assim batizada no ano seguinte.


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