O dilema da tolerância ou: como tratar seu amigo bolsonarista?

Atribui-se a Voltaire, segundo muitos erroneamente, a célebre frase que propugna defender até a morte o direito alheio de dizer o que pense, mesmo que seja tal pensamento frontalmente oposto a suas próprias ideias. Os que ainda nos dizemos herdeiros do iluminismo lidamos constantemente com os paradoxos decorrente dessa máxima. Um exemplo muito em voga…

Atribui-se a Voltaire, segundo muitos erroneamente, a célebre frase que propugna defender até a morte o direito alheio de dizer o que pense, mesmo que seja tal pensamento frontalmente oposto a suas próprias ideias. Os que ainda nos dizemos herdeiros do iluminismo lidamos constantemente com os paradoxos decorrente dessa máxima.

Um exemplo muito em voga vem da atual emergência de setores que defendem abertamente a ditadura. Os democratas devem aceitar que há direito inalienável de expressar tais ideias ou há limites para aquilo que pode ser defendido numa sociedade democrática?

Como lidar com aquele amigo que nega a existência histórica do holocausto ou os fatos da Ditadura Militar Brasileira?

O filósofo Karl Popper chamou esse dilema de “Paradoxo da tolerância”. A ideia de Popper é que, se não impusermos limites à tolerância, é a própria intolerância que prevalecerá. Sua questão é muito direta: devemos tolerar a intolerância?

“A tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos a tolerância ilimitada mesmo aos intolerantes, e se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante do assalto da intolerância, então, os tolerantes serão destruídos e a tolerância com eles”.

Karl Popper

Se fosse tema de simples resolução, não haveria um paradoxo aí. As recentes ondas de ataques à democracia nos põem perigosamente perto do dilema exposto por Popper. Até onde a democracia deve comportar discursos que visam a destruí-la?

Popper chegou a propôr algo sobre isso, sem nunca ter ser esquivado de assumir os muitos riscos envolvidos no processo:

“Devemos exigir que qualquer movimento que pregue a intolerância fique à margem da lei e que qualquer incitação à intolerância e perseguição seja considerada criminosa, da mesma forma que no caso de incitação ao homicídio, sequestro de crianças ou revivescência do tráfico de escravos”.


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