O grande erro de Fátima

Fátima Bezerra venceu na vida. E o fez com muito trabalho e talento para reunir forças das origens mais improváveis. Era uma governadora improvável. Chegou a confidenciar que sem Lula na presidência não gostaria de ser governadora. Mas foi o que ocorreu, e diante do cenário desfavorável soube desdobrar um milagre narrativo. Ela assumiu um…

Fátima Bezerra venceu na vida. E o fez com muito trabalho e talento para reunir forças das origens mais improváveis. Era uma governadora improvável. Chegou a confidenciar que sem Lula na presidência não gostaria de ser governadora. Mas foi o que ocorreu, e diante do cenário desfavorável soube desdobrar um milagre narrativo.

Ela assumiu um Estado que vinha de duas péssimas administrações. Rosalba e Robinson conseguiram, ambos, um feito inédito e em sequência, não foram reeleitos mesmo tendo cumprido um mandato inteiro.

Fátima assumiu com a difícil missão de reorganizar a estrutura fiscal do Estado e retirar o RN do atoleiro econômico. E trabalhou por isso. Mas o Estado estava realmente comprometido, e nossa governadora nunca foi de conflitos. Fez sua carreira política somando aliados de onde não se esperava.

Veio então a pandemia e o desastre do governo Bolsonaro. E Fátima, sem saber a que recorrer diante do agravamento da realidade econômica e social do RN, fez o que podia: arrumou culpados. O governo Bolsonaro e a herança de Robinson foram os pilares da narrativa que sustentou seus primeiros 4 anos de governo. Com isso, ela ganhou tempo para procurar por soluções.

Mas, em algum momento, nossa governadora passou a crer no discurso que criara. Cercada de auxiliares ineptos, ouvia todos os dias que era a melhor governadora de nossa história. Ainda hoje ouve isso, do círculo cada vez mais restrito daqueles em quem confia e empodera. E ela também acreditou nisso.

Mesmo diante de todas evidências em contrário, a bolha para a qual o governo discursa também acreditou. E passou a repetir o mantra: melhor governadora da história.

Sem realizações que pudesse exibir, com os serviços públicos deteriorados abaixo dos já rasos níveis nacionais; com a economia do estado cada vez mais fragilizada, ela disse e acreditou que o melhor iria começar.

E foi reeleita no 1° turno, porque se convenceu e nos convenceu de que havia sanado as finanças do Estado, preparando o caminho para o desenvolvimento tão aguardado.

Às vésperas da eleição, confrontada com a dura realidade, a de que não só não havia sanado as contas públicas como provavelmente as havia degradado ainda mais, Fátima preferiu seguir se iludindo, e nos iludindo também. Maquiou as contas públicas. Usou de forma ilegal recursos privados para jogar o déficit orçamentário para depois da eleição. Cometeu um crime sem a intenção de ser criminosa. Há práticas moralmente muito mais condenáveis que persistem em seu governo e que talvez tenham até se agravado. Mas será por isso que ela provavelmente será julgada.

Em algum momento de seu governo, ainda haveria tempo para admitir a ineficácia da gestão, dar um freio de arrumação e buscar por novos caminhos. Mas Fátima se levou pela facilidade de terceirizar a responsabilidade. Em seu quinto ano de governo, discursa e age como se Robinson ainda fosse governador e ela fosse oposição – o que não foi nem mesmo naquela época.

Fátima venceu muitas barreiras na vida para se tornar a grande líder que é. É triste que justamente no cume de uma vitoriosa carreira política ela tenha cometido seu maior erro, acreditar naqueles que – cercados pelo fracasso que a própria ganância e incompetência engendrou – lhe repetiam todos os dias: a professora é a melhor governadora de nossa história. Nada mais distante da realidade. Lugubremente, Fátima caminha para, dentro de alguns anos, ser o Robinson Faria do próximo governador do RN.

Triste Rio Grande do Norte que não consegue mais ter esperança e busca loucamente garantir o menos pior para seu futuro.


Comments

Uma resposta para “O grande erro de Fátima”

  1. Minha opinião: Não era para está sendo Governadora do RN.
    Está não quer dizer ficar para sempre.

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