O SAAE de Ceará-Mirim é um carro sem pneu suporte

Artigo de Gláucio Tavares Costa analisa a situação de uma das mais importantes empresas da cidade.

Por Gláucio Tavares Costa

O SAAE de Ceará-Mirim é como um carro que transita sem pneu suporte, lotado com gente até no capô do automóvel, conduzido por motorista sem carteira de habilitação e ainda com furo do tanque, desperdiçando combustível, que marca uma trilha de líquido inflamável pelo caminho. Lamento que essa comparação não possa ser considerada exagero, eis que a situação da autarquia é exatamente esta.

A missão do SAAE é – diz o site – garantir o acesso universal aos serviços de água, coleta, transporte e tratamento do esgoto de Ceará-Mirim, garantir o bem-estar social, cooperar com o município para o desenvolvimento sustentável, investir no crescimento socioeconômico socialmente responsável e ecologicamente correto. Entretanto, infelizmente nada disso é levado a sério. A intenção é outra. Vejamos.

O site da autarquia informa que do mês de janeiro ao mês setembro de 2023, o SAAE teve uma receita realizada de 11.608.550,77 (onze milhões, seiscentos e oito mil, quinhentos e cinquenta mil reais e setenta e sete centavos)1, o que significa que o SAAE arrecadou em média por mês R$ 1.289.838,97 (um milhão, duzentos e oitenta e nove mil, oitocentos e trinta e oito reais e noventa e sete centavos) e por que com tanto dinheiro não foi comprada bomba hidráulica auxiliar para evitar a interrupção no abastecimento da população quando dar problema em uma bomba? O SAAE é literalmente um carro sem pneu suporte.

É que muito embora o SAAE venha arrecadando cada vez mais, com a expansão da instalação de hidrômetros e cobrança da taxa de esgoto, tais recursos não são direcionados a assegurar um serviço de qualidade, com investimentos na rede de abastecimento. Quanto mais dinheiro é arrecadado, mais cabos eleitorais são nomeados para cargos comissionados ou contratados para nada fazerem, ensejando um verdadeiro show fantasmagórico, levando a uma situação de absoluta ineficiência da autarquia e, por consequência, a falta corriqueira no abastecimento de água e sofrimento da população de Ceará-Mirim.

Com aptidão para aprofundar a crise em comento, por intermédio da Lei Municipal n° 1.986, de janeiro de 2020, sancionada pelo prefeito Júlio César, o SAAE, que antes tinha dois diretores, passou a ter três diretores, cada um remunerado com cerca de R$ 9.600,00 (nove mil e seiscentos reais), que nomeados por critérios meramente políticos, são como motoristas sem carteira de habilitação a dirigir a autarquia.

Como de política se trata e sua dinâmica: a cada troca de diretores, troca-se também inúmeros cargos comissionados e pessoas contratadas temporariamente por uma nova horda de novatos, apoiadores do político da ocasião, que quando estiverem prestes a aprender alguma função útil no SAAE, são novamente trocados, causando um enorme prejuízo ao serviço público essencial ante do interminável amadorismo e ingerência de políticos na autarquia.

Sem realizar concurso público desde 1997 e com os recursos derramados desperdiçadamente em cargos comissionados e pessoas contratadas temporariamente, num interminável reversamento de mão de obra, o SAAE tem que gastar com a contratação de empresa para fazer o serviço que os políticos não fazem, como empresas de manutenção corretiva de motores e bombas e etc…

Nesse contexto caótico, urge o prefeito Júlio César proceder a exoneração imediata de toda a direção do SAAE, dos seus respectivos apoiadores políticos, para substituí-los por uma direção técnica, compromissada com a eficiência e a transparência na gestão pública, promovendo como primeiro ato a realização de concurso público para, além de diminuir a ingerência política no SAAE, o que redunda em ineficiência do serviço público, propiciar a profissionalização das atividades, com a alvissareira melhoria substancial da autarquia.

Se o prefeito não atender as reclamações do povo e tudo continuar como está, a população continuará sofrendo com os episódios cada vez mais frequentes de falta de água, quando parte comércio fecha, prejudicando a economia da região, o que também acontece pela poluição decorrente do despejo do esgoto sem tratamento no Rio Ceará-Mirim. Esse é o resultado de tanto políticos nos cargos do SAAE de Ceará-Mirim.

Gláucio Tavares Costa é um cidadão do Município de Ceará-Mirim, mestrando em Direito pela FUNIBER e graduado em Farmácia pela UFRN.


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