Pablo Aires: “O nosso projeto é claro: lutar por uma melhoria socioambiental, diminuindo desigualdades e apostando numa atuação independente”

Num curto espaço de tempo, 2 anos, o vereador mossoroense Pablo Aires (PSB) despontou como liderança local. Logo em sua estreia, em 2020, foi eleito à Câmara Municipal de Mossoró (CMM) com 1.857 votos (1,35%), sendo um dos dez mais votados entre os eleitos. Concorrendo à Câmara dos Deputados neste 2022, foi o 2º mais…

Num curto espaço de tempo, 2 anos, o vereador mossoroense Pablo Aires (PSB) despontou como liderança local. Logo em sua estreia, em 2020, foi eleito à Câmara Municipal de Mossoró (CMM) com 1.857 votos (1,35%), sendo um dos dez mais votados entre os eleitos. Concorrendo à Câmara dos Deputados neste 2022, foi o 2º mais votado na cidade, empalmando 14.997 votos (11,43%). O parlamentar concedeu entrevista ao Blog, em que fala de sua atuação social antes de chegar à CMM, das eleições que disputou, a avaliação do governo de Allyson Bezerra (SDD), os rumores acerca de seu nome à disputa à prefeitura em 2024 e que sua intenção é continuar no Partido Socialista Brasileiro (PSB).

Aires relaciona a causa animal à sua inserção na luta política, relembrando sua origem no sítio Jucuri, e como sua mudança para à zona urbana o engajou nas lutas de movimentos sociais. Sobre os pleitos de 2020 e 2022 afirma que seu desempenho vem do sentimento de renovação, “nosso êxito vem da iniciativa de eleitores que estão buscando novos nomes e que estejam comprometidos com projetos que até então não tiveram qualquer respaldo por políticos das oligarquias ou das famílias tradicionais em nossa cidade. ”

Ao avaliar o trabalho de Allyson faz uma interpretação eleitoral, “é inegável que houve uma derrota histórica para o prefeito Allyson. O que aconteceu na eleição desse ano, onde o prefeito não conseguiu eleger nenhum dos candidatos a deputado que estava apoiando, não acontecia desde 1947. ” Sobre 2024, considera que a disputa ainda está distante, sendo categórico em dizer que a pauta de seu projeto é que guiará a escolha daqui a 2 anos.

Blog do Girotto – Pablo Aires é um nome que ganhou notoriedade há 2 anos, quando de sua vitória à CMM, no entanto, você já desenvolvia trabalho de relevância, o da causa animal. Nos fale um pouco sobre seu trabalho antes de chegar à CMM.

Pablo Aires – Política sempre me rodeou. Sempre fui atencioso às coisas que aconteciam a minha volta e desde pequeno entendia que nada vinha fácil. Sou do Jucuri, uma comunidade rural de Mossoró, e gosto de relembrar um fato que aconteceu na minha escola quando tinha uns 7 anos de idade. Na ocasião, descobri que parte da merenda estava fora do prazo de validade, e chateado com a situação organizei uma paralisação na escola, que só depois disso, veio a substituir os itens que estavam vencidos. Para mim esse foi meu primeiro ato político, e de lá para cá nunca parei.
Depois que vim morar na zona urbana de Mossoró é que me deparei com a urgência de outros problemas socioambientais, pude atuar no movimento estudantil organizado, entender melhor os problemas da cidade e da zona rural e, mais ativamente, me engajar na luta pela causa animal. O trabalho na causa animal começou quase que naturalmente, sempre tive uma ligação forte e há 8 anos fiz o meu primeiro resgate junto com a minha mãe, de lá para cá a coisa só foi aumentando de proporção. Já cheguei a ter 30 animais no meu quarto. Sempre tive a ajuda da minha mãe para realizar os resgates, e realizava vaquinhas online para ajudar a custear os tratamentos, mas era um trabalho sem fim.
A causa animal foi quem me fez ser um cidadão mais ativo na luta política. É impossível para protetores e ONGs realizar um trabalho que é responsabilidade do poder público, a causa animal precisa ser entendida como uma urgência de responsabilidade coletiva. Quando entendi isso, entendi a necessidade de travar essa luta também no âmbito político. A causa animal foi o estopim da minha indignação, é um trabalho que já faz parte de Pablo enquanto pessoa, é de mim mesmo, mas não resume a diversidade do Pablo político, pois acredito que temos muitas causas negligenciadas que precisam ser observadas.

Blog do Girotto – Em que momento você sentiu que seu projeto social precisava chegar à esfera política para que fosse transformado, via legislativo, em políticas públicas?

Pablo Aires – Acho que não foi o caso de sentir, mas de entender. Venho de uma realidade que é negligenciada em vários aspectos, sociais, econômicos, ambientais. A zona rural é, além de esquecida, marginalizada, e senti isso desde cedo. A primeira vez que fui ao médico tinha 10 anos, para se ter ideia. Só depois de adolescente, na faculdade, é que pude entender a raiz dos problemas que eu e minha família enfrentávamos na zona rural e passamos a enfrentar na zona urbana. Só na faculdade é que entendi que não éramos os únicos que passavam por isso. Tudo isso, aliada a uma inquietação pela mudança, fez com que eu sempre me organizasse politicamente para garantir melhorias aos lugares nos quais eu fazia parte. Me organizei na escola para lutar por merenda, me organizei na faculdade para lutar pela melhoria no ensino, me organizei com outros protetores para fundar uma ONG e expandir os trabalhos de proteção animal e, mais recentemente, junto com todos esses coletivos e outras milhares de pessoas que acreditaram no projeto, me organizei para levar as pautas que defendi a vida toda às instituições de poder político na nossa cidade.

Blog do Girotto – Em 2020 você tocou sua campanha à CMM independente da chapa majoritária, o PSB estava coligado a ex-prefeita Cláudia Regina (à época no DEM). Daquela coligação que sustentou Cláudia você foi o único vereador eleito. Em sua avaliação, a que se deveu o êxito de sua eleição?

Pablo Aires – Olha, o nosso êxito vem da iniciativa de eleitores que estão buscando novos nomes e que estejam comprometidos com projetos que até então não tiveram qualquer respaldo por políticos das oligarquias ou das famílias tradicionais em nossa cidade. Nos dois pleitos a que nos submetemos – em 2020, para vereador, e em 2022, para deputado federal – percebemos a independência do eleitor, que está cada vez mais dono do seu voto e que, necessariamente, não cede mais aos apelos de quem já está há anos na política e não atende os seus anseios. Entendo que as expressivas votações que tivemos, especialmente dos mossoroenses, tanto naquela época e principalmente nesse ano, onde saímos de 1.857 para quase 15 mil votos, é uma expressão do desejo da população por mudanças e eu fico muito honrado em saber que os eleitores nos credenciaram como sendo um desses nomes.

Blog do Girotto – Que avaliação faz desses 2 anos da gestão do prefeito Allyson Bezerra, que sofreu uma dura derrota nesse pleito, ao não conseguir eleger seus candidatos à Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados?

Pablo Aires – Resguardo a minha avaliação à uma leitura eleitoral. Acho que os resultados das eleições desse ano são mais que significativos para entender o atual momento da política mossoroense. É inegável que houve uma derrota histórica para o prefeito Allyson. O que aconteceu na eleição desse ano, onde o prefeito não conseguiu eleger nenhum dos candidatos a deputado que estava apoiando, não acontecia desde 1947. O que fica evidente para mim é que a avaliação do prefeito não foi suficiente para eleger seus candidatos. Vivemos em uma cidade muito grande, que se desenvolve rápido e que é muito complexa. Precisamos que o prefeito, e todos os outros integrantes da classe política mossoroense entendam isso. A gestão do prefeito Allyson tem alguns acertos e alguns erros, mas precisamos entender que uma gestão não é identificada só pelo que se faz, mas também pelo que se deixa de fazer.

Blog do Girotto – Mesmo não tendo sido eleito à Câmara, você, a nível estadual, foi o 2º mais votado no PSB, desbancando internamente o nome do ex-deputado federal Henrique Alves. Em Mossoró foi o 2º mais votado, ficando atrás somente do candidato do prefeito, seu colega de legislativo, Lawrence Amorim (SDD). Além do grupo governista, sua candidatura desbancou as do clã Rosado e do Partido dos Trabalhadores (PT). Sua votação pavimenta seu nome à prefeitura em 2024?

Pablo Aires – Os contextos e cenários na política mudam muito rapidamente e mesmo que seja comum já se falar em 2024, para mim ainda está distante. O que posso dizer neste momento é que o resultado das urnas demonstra que felizmente os eleitores mossoroenses estão cada vez mais conscientes de seu papel na escolha de bons representantes e que, para além de nomes, estão apostando em projetos. O resultado dessa eleição mostra a aceitação do nosso projeto e ampliou a nossa responsabilidade na Câmara Municipal. Nós temos muitos projetos que podem transformar a vida das pessoas e esperamos que até lá, especialmente enquanto vereador, possamos apresentá-los aos mossoroenses. A certeza que fica para 2024 é que, independente do caminho que escolheremos, só o faremos entendendo que o que faz o político não é a política, é a pauta. O nosso projeto é claro: lutar por uma melhoria socioambiental, diminuindo desigualdades e apostando numa atuação independente.

Blog do Girotto – O PSB sai desse pleito perdendo as duas cadeiras que possui no estado, dos deputados Souza Neto, na Assembleia, e de Rafael Motta, na Câmara. Sua liderança já é realidade na esquerda mossoroense, e você a exerce estando fora das hostes do petismo, algo um tanto incomum no contexto brasileiro, onde o PT tem iminência nos rumos da esquerda. Sua pretensão é ficar no PSB, fortalecer o partido para daqui a 2 anos?

Pablo Aires – Apesar das perdas das cadeiras no legislativo, vejo a situação com outros olhos. Para mim, o PSB saiu fortalecido no estado. Rafael teve uma grande votação no seu pleito à cadeira de senador e hoje faz parte da equipe de transição do governo federal. No meu caso, sou atual presidente do diretório municipal do PSB, que é um partido com o qual tenho grande identificação. Esse ano, o nosso partido vem desempenhando um papel fundamental nas decisões do país, com a presença de Geraldo Alckmin na vice-presidência, ao lado de Lula. Espero poder continuar contribuindo com a mudança que propomos de dentro do PSB, mas ciente que essa contribuição se dará independente do espaço em que esteja tendo em vista os projetos que construímos por aqui.


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