Perseguição política a Doté Olissassi será julgada pela Justiça do Trabalho na terça

No próximo dia 03 de maio, a Justiça do Trabalho do Rio Grande do Norte irá julgar o processo aberto pelo Sindicato dos Trabalhadores em Supermercados, com o apoio da Central Única dos Trabalhadores do RN, em relação à demissão por justa causa do professor e líder de movimentos religiosos de matriz africana Doté Olissassi, que foi acusado de improbidade.

O caso repercutiu nacionalmente, após centenas de demissões por importunação política terem sido registradas no Ministério do Trabalho na mesma época. A demissão ocorreu sem maiores argumentos e o professor foi demitido por ser de esquerda e líder partidário do PT.

O Escritório Hollanda & Hollanda Advocacia está representando o professor no processo. A CUT-RN também fez denúncias ao Ministério Público do Trabalho.

De acordo com Doté, “não é nada fácil para uma empresa capitalista e patriota (que tem sócios declaradamente de extrema direita) ter no quadro de funcionários um professor de esquerda e líder partidário”. Ele afirma que seguirá firme na luta pela defesa da classe trabalhadora e espera que o caso não seja visto como isolado, mas como uma ação unida da burguesia para silenciar os trabalhadores.

O julgamento do caso será realizado em uma semana importante para a classe trabalhadora, a semana do trabalhador, e, segundo o professor, será uma oportunidade de afirmar a luta dos sindicatos e da CUT em defesa dos trabalhadores.

Entenda o caso

O professor Doté Olissassi trabalhava à época no supermercado Nordestão, em Natal, e foi demitido por justa causa após ser visto em uma manifestação pacífica em apoio a Lula (PT).

Doté Olissassi é pedagogo, pós-graduado em Gestão Pública Ambiental, produtor cultural, participa do Núcleo Nacional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana e é atualmente presidente do diretório municipal do PT, da cidade de Extremoz (RN). Ele afirmou que já vinha sofrendo retaliações, perseguições e humilhações por parte de clientes e de funcionários que ocupavam cargos acima do seu e que isso causou vários processos de adoecimento e quadros de ansiedade.

De acordo com Marcos Santana, presidente do Sindicato dos Empregados em Supermercados (Sindsuper/RN), é comum a prática de perseguir, adoecer e demitir funcionários de destaque, especialmente cipeiros, por pensarem politicamente diferente da empresa. A presidenta da CUT-RN, Eliane Bandeira, criticou a empresa por não aceitar dialogar com os dirigentes sindicais após cometer a injustiça.

“Acionamos o setor jurídico da entidade e estamos seguindo com a ação. Mas a gente vai seguir firme, e ninguém vai soltar a mão de ninguém”, afirmou ela, deixando claro que a luta pelos direitos de Doté Olissassi continuará.