Plano Safra recorde mostra dependência do Brasil ao agronegócio; e isso não necessariamente ruim

O Plano Safra 2023/24 está previsto para ser o maior da história do Brasil, com um orçamento de R$ 410 bilhões. No entanto, especialistas consultados por diversos veículos destacam que os juros altos podem comprometer a eficiência do orçamento, especialmente em relação à equalização, um subsídio governamental dado aos produtores para cobrir a diferença entre…

O Plano Safra 2023/24 está previsto para ser o maior da história do Brasil, com um orçamento de R$ 410 bilhões. No entanto, especialistas consultados por diversos veículos destacam que os juros altos podem comprometer a eficiência do orçamento, especialmente em relação à equalização, um subsídio governamental dado aos produtores para cobrir a diferença entre as taxas de juros praticadas no mercado financeiro e as taxas efetivamente pagas pelos produtores.

Valter Palmieri Jr, doutor em economia pela Unicamp e professor da Strong Business School, explica à CNN que o subsídio oferecido pelo governo ao setor agrícola consome recursos públicos que poderiam ser direcionados para outras áreas sociais e atividades econômicas. Ele ressalta a importância de equilibrar os gastos governamentais em diferentes setores.

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion (PP-PR), afirmou que o valor de R$ 410 bilhões atende às demandas do setor, mas ressaltou que ainda há esforços em relação ao montante destinado à equalização. Segundo Lupion, o setor agropecuário solicita R$ 25 bilhões para equalização, enquanto o governo federal propõe cerca de R$ 20 bilhões. O parlamentar considera o valor proposto pelo governo razoável para o setor.

Lupion reconhece que a atual taxa Selic dificulta o cenário para o Plano Safra, mas enfatiza a importância da equalização para possibilitar os negócios no setor. Ele destaca a necessidade de volume de negócios de mais de R$ 400 bilhões para o setor agropecuário.

Leonardo Trevisan, professor de Economia da ESPM, ressalta que as altas taxas de juros afetam a economia como um todo e todas as etapas da atividade agrícola. Ele destaca a importância da taxa Selic para a viabilidade do agronegócio, pois impacta desde o financiamento dos processos de produção até a exportação final.

Caso as cifras sejam oficializadas, o Plano Safra 2023/2024 será o maior da história do instrumento de crédito. Na versão anterior (2022/23), foram direcionados R$ 340 bilhões para o setor agrícola em todas as linhas.

A lenta retomada de nosso economia tem se dado sobretudo com base na expansão no agronegócio. Não apenas um movimento de reaproximação política com o setor, o novo Plano Safra é a admissão dessa realidade e um sinalização de que teremos em Lula 3 a reedição do modelo de exportação de commodities que marcou seus primeiros governos.


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