Polícia Federal investiga ligação de Braga Netto com acampamentos que pediam intervenção militar

E-ministro chegou a receber R$ 926 mil em salários num único mês, durante governo Bolsonaro. Candidato a vice na chapa derrotada em 2022, agora é suspeito de ter aliciado atos antidemocráticos.

Em uma nova onda de investigações, a Polícia Federal (PF) está sondando a suposta ligação entre o general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil e candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro nas eleições passadas, e os acampamentos formados em frente aos quartéis do Exército que reivindicavam uma intervenção militar após a eleição do presidente Lula, conforme informado em reportagem do jornal O Globo desta segunda-feira (9).

A investigação da PF é embasada no testemunho do ex-ajudante de ordens, Mauro Cid, que selou um acordo de delação premiada, já aprovado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Braga Netto, ao ser questionado sobre a delação, afirmou desconhecer seu conteúdo e disse que não se manifestaria sobre assuntos sigilosos.

De acordo com o depoimento de Mauro Cid, Braga Netto funcionou como um canal de comunicação, mantendo Bolsonaro atualizado sobre o desenvolvimento das manifestações e estabelecendo a ligação entre o ex-presidente e os líderes dos acampamentos. A matéria do jornal O Globo destaca um episódio em que, após o revés eleitoral, Braga Netto teria incentivado manifestantes a não desistirem e a manter a fé. Este episódio foi registrado em vídeo e amplamente compartilhado nas redes sociais bolsonaristas.

Durante esta ocasião, Braga Netto afirmou: “Presidente está bem, está recebendo gente. Vocês não percam a fé, tá bom?! É só o que eu posso falar agora”.

A reportagem também menciona que a PF está investigando meticulosamente todas as reuniões ocorridas entre Bolsonaro, Braga Netto e líderes das Forças Armadas no final de 2022. Parte essencial dessa análise se concentra nos registros confidenciais da agenda do ex-presidente. Grande parte desses encontros ocorreu no Palácio da Alvorada, local em que Bolsonaro permaneceu após sua derrota nas urnas.


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