Políticas públicas, mulheres no poder e luta feminista prometem trazer mais igualdade e dignidade às mulheres potiguares

Já dizia Simone de Beauvoir: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”. Com essa frase, Simone questionou a ideia de que todas as mulheres deveriam se comportar da mesma forma, seguindo o arquétipo de seres frágeis, submissos, cuidadoras do lar e pertencentes aos seus maridos. Graças à luta conjunta da sociedade civil e de órgãos públicos,…

Já dizia Simone de Beauvoir: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”. Com essa frase, Simone questionou a ideia de que todas as mulheres deveriam se comportar da mesma forma, seguindo o arquétipo de seres frágeis, submissos, cuidadoras do lar e pertencentes aos seus maridos. Graças à luta conjunta da sociedade civil e de órgãos públicos, tornar-se mulher tem sido cada vez mais sobre ser independente, conquistar espaços, ser respeitada como uma cidadã com direitos e deveres comuns a todos.

Cada vez mais, as mulheres tomam o seu Dia Internacional nas mãos e o transformam em um dia de celebrar os avanços e apontar o caminho a ser seguido: um resgate histórico da origem desta data. Essa ação, inclusive, tem permitido o protagonismo da mulher e de sua luta em todos os dias do ano; isso foi notório neste 8M.

Como falamos anteriormente, este 8 de Março seria uma demonstração de força feminina. As expectativas não foram frustradas. Estava na pauta do dia discutir a garantia de direitos e fazer uma celebração crítica, reconhecendo avanços sem fechar os olhos para o que ainda precisa mudar.

Afinal, como poderíamos apenas celebrar quando tantas meninas e mulheres ainda são alvo das violências mais cruéis? Quando os índices de desemprego são maiores entre as mulheres e áreas do mercado ainda se recusam a admitir que mulheres podem atuar na área que desejarem? Quando mulheres trans têm uma perspectiva de vida tão baixa?

Questões como essas não foram latentes na solenidade ao 8M, realizada pelo Governo do RN, nesta quarta-feira. Figuras femininas de todo o estado (e até de fora) lotaram a Escola de Governo e demonstraram sua preocupação não só em fazer essa discussão, mas também em concretizar políticas de amparo para mulheres, seja na conquista de sua autonomia ou no combate à violência.

Depois de uma linda apresentação do grupo Coco de Rosa, a secretária estadual de Mulheres, Juventude, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Olga Aguiar, deu início à sessão. Atuando em um órgão fundamental para o desenvolvimento e implementação de políticas públicas, Olga destacou projetos em execução, com a parceria de outros órgãos, que expressam direitos reivindicados.

Outras figuras presentes seguiram a mesma linha, expressando não só o anseio por mudanças, mas também os planos traçados para o enfrentamento de tantos problemas. Afinal, a atuação do governo e seus agentes são primordiais nos processos de transformação de uma sociedade tão machista.

Queremos respeito, garantia de direitos e, principalmente, que parem de nos matar.

Eliane Bandeira,
presidenta da CUT-RN

Uma delas foi Fabiana, representante da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que destacou a importância do fortalecimento da economia para a garantia da geração de emprego e renda para mulheres, com igualdade entre os gêneros. A recomposição dos ativos de empresas, como ELETROBRAS e PETROBRAS, a suspensão da venda do polo potiguar e a recomposição da cadeia produtiva de petróleo e gás foram alguns dos pontos citados por Fabiana para fortalecer a economia potiguar e as trabalhadoras da área.

A participação crescente de mulheres na política e em espaços de poder tem sido, sem dúvida, um elemento-chave para tantos avanços, e para a presidenta da CUT-RN, Eliane Bandeira, as mulheres devem ocupar também as ruas com protagonismo na luta por seus direitos. Essa luta histórica, inclusive, foi a responsável por abrir caminhos para mais mulheres entrarem na política, como lembrou Erika Canuto, promotora de justiça do RN.

No ato de rua, vimos essas políticas e anseios tornarem-se palavras de ordem e ecoar pelas ruas da cidade. Cartazes, faixas, megafone e carro de som se uniam em um grito só: a América Latina será toda feminista. O RN não fica de fora. Trabalhadoras de todas as áreas, estudantes, crianças e jovens levantam-se contra o machismo e uma onda conservadora na política, que se opõe a muitos dos direitos reivindicados, como o aborto. Estamos certos de que 2023 será ainda um ano de muitas conquistas e, quando não, as potiguares estão prontas para qualquer parada.


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