Quão séria é a crise política russa alardeada pela mídia?

Foto: Aleksei Nikolsky, da Sputnik Pelo que se lê na imprensa internacional, uma rebelião militar sem precedentes estaria abalando o poder do presidente russo, Vladimir Putin, que governa o país jaá por 23 anos. O evento representaria uma séria ameaça à liderança que Putin estabeleceu e que aparenta um controle total até agora. A insurreição…

Foto: Aleksei Nikolsky, da Sputnik

Pelo que se lê na imprensa internacional, uma rebelião militar sem precedentes estaria abalando o poder do presidente russo, Vladimir Putin, que governa o país jaá por 23 anos. O evento representaria uma séria ameaça à liderança que Putin estabeleceu e que aparenta um controle total até agora.

A insurreição teve origem no grupo Wagner, liderado por Yevgeny Prigozhin, considerado um capanga leal de Putin. O Kremlin costumava tratar as primeiras manifestações de desobediência como meras simulações, com o objetivo de manter os generais sob controle. No entanto, a admissão de Putin de que Rostov-on-Don, principal centro militar russo, está fora de controle, acaba com essa ilusão.

Acredita-se que as unidades de Wagner tenham planejado a rebelião por algum tempo. A justificativa para a revolta surgiu logo após um suposto ataque aéreo a um acampamento do grupo na floresta, negado pelo Ministério da Defesa russo. Yevgeny Prigozhin expôs a lógica desastrosa por trás da guerra, revelando que a Rússia não estava sob ameaça de ataque da OTAN e os russos não estavam sendo perseguidos. No entanto, ele errou ao sugerir que a alta cúpula russa estaria por trás do plano de invasão, quando, na verdade, era o próprio Putin.

Este momento representa uma escolha existencial para a elite russa: continuar apoiando um presidente vacilante ou enfrentar as consequências de um monstro mercenário, o grupo Wagner, que eles mesmos criaram para realizar seus atos ilícitos.

A situação também coloca em evidência a fragilidade dos militares russos. Antes, críticas moderadas de Prigozhin teriam sido suficientes para que as forças especiais do FSB o neutralizassem. No entanto, ele agora se move livremente em direção a Moscou, levantando questionamentos sobre o destino dessas forças especiais.

Essa não é a primeira vez que a Rússia demonstra fragilidade. Ataques com drones ao Kremlin e a casas de campo de elite destacaram a vulnerabilidade das defesas da capital russa. Os eventos recentes removerão qualquer dúvida entre os ricos russos sobre a capacidade de Putin de manter o poder.

Embora a Ucrânia possa comemorar essa insurreição como um momento desastroso para a Rússia, rebeliões raramente alcançam os resultados desejados. A história mostra que eventos semelhantes resultaram em transformações revolucionárias e mudanças de poder; mas também mostra que Putin e a Rússia possuem uma dinâmica própria.

Um Putin enfraquecido poderia agir de forma irracional para provar sua força? a sugestão da mídia internacional é de que ele pode se recusar a aceitar a lógica da derrota na Ucrânia e pode não ter controle total sobre suas próprias forças armadas. A estabilidade da Rússia como potência nuclear responsável está em risco.

O que parece distante da realidade dos fatos é justamente a avaliação de um provável derrota na Ucrânia. A cada mês de combates, as forças ucranianas têm demonstrado maior fragilidade. Não se sabe até quando resistirão, mesmo com o apoio intenso do Ocidente.

A crise na Rússia é real, mas entendê-la está muito distante de nosso alcance, sobretudo se informados pelos canais únicos canais a que temos acesso. Apesar da grande relevância que a situação tem para todo o mundo, inclusive o Brasil, seguimos no escuro.


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