Regra que deu ao PL 4 federais no RN pode custar uma vaga de estadual ao partido

Em 2022, dentre muitas novas regras eleitorais, uma se destaca pela, digamos, bizarrice. É a clásula de barreira para candidatos.

Se um partido alcança o quociente eleitoral necessário para eleger um deputado, só terá direito à vaga caso o candidato obtenha 10% dos votos relativos ao quociente.

Até aí tudo bem. A regra evita que um candidato que obtenha muitos, mas muitos votos, possa eleger consigo outros sem qualquer expressão eleitoral. Lembremos de Enéas e Tiririca que levaram consigo um punhado de nulidades.

O troço fica doido é quando o partido conquista a vaga pelas sobras. Daí a barreira do candidato sobe para 20%.

Desta forma, um partido que conquiste duas cadeiras pelo quociente e uma pelas sobras viverá a seguinte situação: será exigido que seus dois candidatos mais votados tenham no mínimo 10% do quociente cada; já o terceiro colocado terá que obter o dobro disso para poder ser eleito. Vai entender.

A regra beneficiou o PL no RN. Sargento Gonçalves, o Lagartão, foi eleito porque nem Carla Dickson (UB) nem Samanda Alves (PT) obtiveram 20% do quociente. Ambas tiveram mais que os 10% exigidos para os primeiros colocados.

Caso Wendell Largatixa não possa tomar posse, o PL perderá um deputado estadual porque o suplente do partido, embora com votação muito próxima à do último eleito, não alcançou os raros 20%.

Desta forma, a vaga iria para o deputado estadual Ubaldo Fernandes que, este sim, teve uma votação superior ao equivalente a 20% do quociente eleitoral para deputado estadual no RN em 2022.

Se ficou difícil de entender, primeiro peço desculpas pela incompetência na explicação. Mas logo lanço ao vento uma boa desculpa: a regra é mesmo ruim de se entender.