Resenha do filme Filhos da Esperança, de Alfonso Cuarón (EUA e México, 2006)

Diretor: Alfonso Cuarón Com: Clive Owen, Julianne Moore, Michael Caine, Peter Mullan, Chiwetel Ejiofor, Danny Huston, Pam Ferris, Charlie Hunnam, Oana Pellea, Claire-Hope Ashitey

Diretor: Alfonso Cuarón
Com: Clive Owen, Julianne Moore, Michael Caine, Peter Mullan, Chiwetel Ejiofor, Danny Huston, Pam Ferris, Charlie Hunnam, Oana Pellea, Claire-Hope Ashitey

Se alguém disser que o filme de 2006 do mexicano Cuarón está longe de ser o seu melhor; que A Tua Mãe Também é sua grande obra; que Filhos da Esperança é um filme clichê, não estará de todo errado. Mesmo assim, o filme me impressiona com uma força rara dentre os filmes desta década.

Começarei pelos defeitos do filme, assim posso concluir com suas virtudes. O roteiro – confirmando o que tem dito a crítica – é falho e apela a demasiados lugares comuns. A tipificação messiânica construída lá pelo final do filme é forçada e de mau gosto. O drama da disputa interna de uma facção política é fraco, apelativo e mal desenvolvido. Os personagens em alguns momentos são exageradamente caricaturizados, principalmente o caricaturista.

A principal falha do filme – no entanto – é a abordagem rasa que faz de um enredo que prometia muito, ou ao menos dava muitas possibilidades. Um mundo onde as taxas de fertilidade caíram a zero e a humanidade espera seu fim certo, poderia trazer análises e conclusões mais profundas e interessantes. Enfim – encerrando a crítica negativa – é um desperdício o que fizeram com um tema tão interessante, que foi transformado num clichezão de doer.

Por quê – então – resolvi incluir Filhos da Esperança no rol dos filmes mais marcantes de minha vida, diante de tamanhos defeitos? Porque ele é um filme fantástico visualmente e em sua dubiedade, é corajoso. Corajoso porque expõe sua crítica à guerra com clareza e veemência, como poucos no ramo da ficção ousam. Mas é covarde, na medida em que utiliza dos mesmos já batidos métodos de Hollywood para ganhar a simpatia do telespectador à sua causa.

Contudo, este filme é lindo. Sua fotografia é inspiradora e em determinados momentos intrigante e comovente. Seus tons de azul futurista, com câmera portátil e longos planos-seqüência transformam o filme numa visão forte de futuro com aspectos de documentário.

Além da fotografia, pode-se destacar a atuação de Clive Owen. Mesmo não estando tão bem quanto em Closer – perto demais, ele repete suas atuações constantes e de qualidade, se consolidando como um grande ator do gênero.

Filhos da Esperança é um filme lindo, de imagens belíssimas e que vale a pena ser visto pela fotografia formidável e a força do tema, ainda que mal explorado. Há um momento no filme onde um personagem é perguntado sobre o motivo de preservar obras de arte se dentro de algumas décadas não haveria mais ninguém para vê-las. Ele responde que simplesmente não pensa mais nisso. Essa é a imagem amplificada da escolha que fazemos constantemente. Apegando-nos a religiões ou simplesmente evitando pensar na morte, todos seguimos o caminho escolhido pelo personagem: manter a esperança e a humanidade, mesmo diante da certeza da finitude.


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