Resenha do filme O Quarto Poder, de Costa-Gravas (EUA, 1997)

Diretor: Costa-Gravas Com: Dustin Hoffman (Max Brackett), John Travolta (Sam Baily), Mia Kirschner (Laurie), Alan Alda (Kevin Hollander), Robert Prosky (Lou Potts), Blythe Danner (Sra. Banks), William Atherton (Dohlen), Ted Levine (Lemke), Tammy Lauren (Srta. Rose), Raymond J. Barry (Dobbins), Lucinda Jenney (Jenny), Akosua Busia (Diane), Jay Leno (Jay Leno), Larry King (Larry King) NÃO…

Diretor: Costa-Gravas
Com: Dustin Hoffman (Max Brackett), John Travolta (Sam Baily), Mia Kirschner (Laurie), Alan Alda (Kevin Hollander), Robert Prosky (Lou Potts), Blythe Danner (Sra. Banks), William Atherton (Dohlen), Ted Levine (Lemke), Tammy Lauren (Srta. Rose), Raymond J. Barry (Dobbins), Lucinda Jenney (Jenny), Akosua Busia (Diane), Jay Leno (Jay Leno), Larry King (Larry King)

O que pode acontecer quando se combina um jornalista decadente e talentoso, um homem confuso e desesperado com uma mídia sensacionalista e manipuladora? Uma possibilidade bem factível é a que vemos em O Quarto Poder. A soma das boas atuações, do roteiro eloquente e da direção habilodosa faz dele um grande filme. A pujança do tema e sua visão crítica o tornam ainda melhor.

Dustin Hoffman está muito bem no papel do decadente jornalista de O Quarto Poder, Max Brackett. O mesmo acontece com John Travolta, no papel de Sam Baily, um segurança desempregado que na ilusão de recuperar seu emprego fará uma grande bobagem. Bobagem, sim, porque o filme nos deixa claro que por maior que fosse o perigo real representado por Sam, não era sua intenção causar qualquer dano, ou sequer atrair a atenção que despertou. Portanto, podemos simplificar dizendo que a trama se origina de um mal-entendido.

Vamos às circunstâncias. Max é um jornalista que teve uma carreira promissora em Nova Iorque, mas se encontra agora cobrindo pequenas notícias no município de Madeline, na Califórnia. Agora ele está num museu da cidade para fazer uma matéria, quando presencia sem ser visto a ação de Sam. Ele ainda tem a expectativa de retornar ao seu antigo trabalho. Sam foi demitido e agora está segurando uma carabina, com a qual acredita que será ouvido pela proprietária do museu onde trabalhava – ele também quer reaver seu antigo trabalho.

Esse evento é a oportunidade que Max esperava. Ele faz contato com sua estagiária que está fora do museu e ao iniciar a cobertura do evento desencadeia um fenômeno de proporções nacionais, intensificado quando Sam acidentalmente atingi um segurança do museu, seu amigo e até pouco tempo colega de trabalho. Descoberto, Max propõe a Sam que lhe conceda uma entrevista, em troca ele ganharia apoio público para o confuso Sam, que agora era um sequestrador com funcionários, um jornalista e crianças como seus reféns.

Os acontecimentos ganham maior proporção à medida em que o caso vai despertando o interesse nacional. As diversas emissoras já disputam a cobertura, correm desesperadas atrás de qualquer informação sobre o sequestro, sobre Sam e seus reféns. Um desconhecido dá entrevistas se dizendo o melhor amigo do “perigoso” sequestrador. Grupos juvenis e tribos urbanas das mais diversas se concentram na frente do museu. Os familiares das crianças começam a aparecer e pressionar as autoridades. Um grupo nazista fala do desemprego que abate os norte-americanos e culpa os afro-descendentes. A partir daí, nem Max, nem Sam têm mais o menor controle da situação.

O filme segue nos mostrando como a mídia manipula a situação e tendenciona a cobertura. São realizadas pesquisas de opinião sobre Sam, matérias são editadas para darem maior audiência. A posição dos veículos de comunicação vai se moldando ao interesse do público, que acompanha tudo através da mídia, formando um círculo vicioso.

Grande parte do efeito do filme só é possível pela correta opção de nos mostrar o sequestro de dentro, do ponto de vista de Max que adquire uma visão privilegiada dos motivos e intenções de Sam. Ainda, Travolta consegue conquistar nossa simpatia para seu personagem. Temos pena de Sam, sabemos que apesar de confuso e metido numa situação muito complicada, ele é incapaz de causar intencionalmente qualquer mal a quem quer que seja. O filme se dá essa liberdade, vai ganhando nossa simpatia para Sam, catalizando sua contestação nas cenas finais, onde nos é possibilitado compreender e sentir a opressão que a obra argumenta advir do descontrolado poder da imprensa.

O Quarto Poder é um filme reflexivo, mas também expositivo e contundente. Faz com que pensemos nos efeitos da concentração do poder de formar opinião. Mostra claramente que sob a aparência de imparcialidade e transparência dos telejornais, se escondem interesses econômicos, políticos e pessoais de toda ordem. Reféns dos grandes meios de informação, seguimos enganados e manipulados, servindo a interesses distintos dos nossos. Quando enfim percebemos o que acontece, só nos resta a desesperada e angustiante reação com que Max encerra o filme. Em seu desespero está a verdade.


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