Rubens Lemos Filho fala do “tesão” (ou da falta dele) pelo futebol atual

O colega Rubens Lemos Filho gentilmente nos autorizou a republicar sua coluna no Tribuna do Norte, na qual trata com seu marcante estilo dos desestímulos do futebol contemporâneo e relembra belos momentos do esporte. Como palmeirense, ao ler o texto de Rubinho só me lembrei do chocolate que levamos de Edmundo, que conquistou o Brasileirão…

O colega Rubens Lemos Filho gentilmente nos autorizou a republicar sua coluna no Tribuna do Norte, na qual trata com seu marcante estilo dos desestímulos do futebol contemporâneo e relembra belos momentos do esporte. Como palmeirense, ao ler o texto de Rubinho só me lembrei do chocolate que levamos de Edmundo, que conquistou o Brasileirão de 1997 para o Vasco. O texto é imperdível, e foi originalmente publicado aqui.

Tesão – por Rubens Lemos Filho

O amigo percebeu e (me) disse assim: você não está empolgado com o campeonato brasileiro. Há tempos deixou de comentar qualquer jogo da Série A, onde está o filé da nossa bola. Por exemplo: você viu o Bahia jogar? Não, não vi. Sou incapaz de escalar a defesa do tricolor e Bahia para mim era o de Bobô campeão nacional em 1988 e o de três anos antes, com Marinho Apolônio – ídolo de ABC e América -, encantando o país com seus dribles e gols.

O que é ruim vai nos afastando do objeto de amor. O futebol está feio demais. Desapareceram os nanicos bons de finta, de ginga e de gols suaves. Imagine se vou perder eu tempo assistindo o Vasco de um centroavante espanador da lua e péssimo com os pés chamado Pedro Raúl. Por quê?
Porque atacantes de área do Vasco, de verdade e desde 1977 até o ano 2000 foram sensacionais. Vibrei com a dupla Roberto e Ramón, o baixinho Ramón que se criou no Santa Cruz de Recife terceiro colocado no Brasileiro de 1975. Bastava responder Roberto Dinamite e a questão estaria encerrada definitivamente.

Mas, quem pergunta o que quer, ouve o que geralmente não deseja. Roberto Dinamite, Jorge Mendonça, Cláudio Adão, Romário, Bebeto, Edmundo, Euller, Mauricinho, Tita, Sorato, Bismarck, Viola, e outros menos aquinhoados, me faziam ligar o aparelho de televisão plenamente confiante numa vitória até por goleada sobre o Flamengo. Lembro-me de duas surras de 5×1 em 2000 com Romário simplesmente barbarizando a defesa dos humildes rubro-negros. Pense numa população simples, é a flamenguista. São uns franciscanos de paramentos em vermelho e preto.

Ganhamos o campeonato de 1988 enfiando cinco surras consecutivas em nosso maior adversário. Na decisão do terceiro turno do Carioca, Romário estava machucado e os caras – como sempre cantando vitória antes, previam um chocolate. Entrou o moleque Sorato, de 18 anos, autor de dois gols e, desde então, um sortudo goleador. O tento do 1×0 sobre o São Paulo, na decisão do Campeonato Nacional de 1989 com o Morumbi superlotado.

Craque, o Vasco fazia em casa e Edmundo, deliciosamente aliciado dos juvenis do Botafogo, foi nossa grande reverência nos últimos 20 anos. Sempre torceu pelo Vasco, amou nossa camisa. Romário era bem melhor, mas cantou o hino inimigo, mandou a galera cruzmaltina se calar e perdeu uns pontinhos em meu Ibope, compensados pelos shows na Copa Mercosul e no Brasileirão 2000.

Mauricinho era um ponta sensacional e injustiçado. Nunca esteve na seleção principal e merecia muito. Ganhou o Mundial Sub-20 na equipe onde brilhavam Geovani, Bebeto, Gilmar Popoca, Jorginho, Dunga e Paulinho Carioca na ponta-esquerda. Mauricinho partia pela direita recebendo passes espetaculares de Geovani e, quando não cruzava para a cabeçada de Roberto Dinamite, entrava com bola e tudo.

O azar dele: a concorrência com Renato Gaúcho, Marinho do Bangú, Maurício do Botafogo e Maurício, também botafoguense, Sérgio Araújo do Atlético Mineiro e, sobretudo, o medo. O medo dos treinadores que acabaram com o esquema 4-3-3 ofensivo, inaugurando o 4-4-2 que eliminou os extremas. Varreu a arma mortal das incursões pelos lados do campo.

Bebeto, que nós tiramos daquele pessoal da Gávea por milhões de cruzados (moeda da época) e deboche escancarado, jogava poucas partidas, quase sempre machucado, mas foi o principal nome da campanha de 1989 e só não fez chover em dupla com Edmundo em 1992, quando o Vasco fez mais pontos do que o campeão e não foi campeão, vítima das fórmulas dos campeonatos de então.

Meu amigo ficou chateado, fechou a cara e tentou o último recurso, quase uma liminar sentimental: mas temos Vini Júnior na seleção. Joga demais o perseguido atacante do Real Madrid, mas não seria titular de qualquer escrete em Copa do Mundo até a Era Neymar. Ele insistiu e deletei o papo: o futebol brasileiro está igual a olho verde em gente feia. Aparenta, mas não dá o menor tesão.

Força da torcida Está na força da torcida, a principal referência do América na tentativa de se manter na Série C. É razoável afirmar que o perfil do torcedor rubro mudou. O americano de tempos passados encarnava – com orgulho – a paisagem humana da elite natalense, tendo seu Quartel General na suntuosa sede da Avenida Rodrigues Alves.

Vitórias Na década de 1980, o América venceu seis estaduais e o simpatizante se deixa apaixonar pelas vitórias. O América é estimulado pelo grito incessante de uma multidão de classe média, fundamental para uma vitória diante do Manaus na Arena das Dunas.

Minicopa No dia 9 de julho de 1972 – há 51 anos – era encerrada a Minicopa, campeonato organizado pelo Regime Militar para comemorar 150 anos da Independência do Brasil. Na final, com gol de Jairzinho no Maracanã, a seleção venceu Portugal por 1×0 e levou o titulo.


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