Seis vice-líderes votaram contra governo na Câmara

As dificuldades na articulações políticas do governo Lula 3 não param nos entraves com centrão e “independentes”. Seis vice-líderes do governo na Câmara votaram e se posicionaram diferentemente da orientação e desejo do Palácio do Planalto em duas votações importantes nas duas últimas semanas no plenário.

Em uma delas, o tema foi o marco do saneamento. Três vice-líderes votaram “sim”, a favor de derrubar trechos de dois decretos do presidente Lula que mudavam o marco legal do saneamento. Foram eles Damião Feliciano (União-PB), Emanuel Pinheiro Neto (MDB-MT) e Waldemar Oliveira (Avante-PE). Outros dois – Pedro Paulo (PSD-RJ) e Jonas Donizette (PSB-SP) – se ausentaram desta votação.

Já na outra votação, o tema foi o projeto de combate às fake news, em que o vice-líder Igor Timo (Podemos-MG) votou “não” a acelerar a votação desse texto, que foi aprovada por 238 a 192. Na semana seguinte, na votação do mérito, o relator do projeto, Orlando Silva (PCdoB-SP), pediu a retirada de pauta, diante da derrota iminente.

Essas votações foram uma derrota para o governo, que não conseguiu manter a coesão da base governista. Essa falta de coesão na base pode dificultar a aprovação de pautas importantes para o governo no futuro. Além disso, pode ser um sinal de que a base está se movendo em direções diferentes, o que pode afetar o alinhamento do governo com os interesses do Congresso.

O presidente da Câmara, Arthur Lira, minimizou as divergências e disse que as votações são democráticas. “Se o deputado optar por votar contra o governo, ele tem que ter a responsabilidade de explicar aos eleitores o porquê daquele voto”, afirmou.