Sem fazer o dever de casa, governo vê oposição crescer nas redes sociais

Em vez de disputar o debate público com estratégias eficientes e apresentando um programa claro que motive a militância, o governo apostou num ineficaz PL de “combate de combate às fakenews”. PL recheado de jabutis que geraram revolta e descontentamento mesmo entre apoiadores do governo, como este jornalista.

De acordo com um levantamento da Genial/Quaest, políticos de oposição ao governo Lula estão aumentando sua influência nas redes sociais. Dos 10 deputados mais populares na internet, 8 são opositores.

No ranking, apenas André Janones (AVA-MG) é governista, mas caiu 4 posições em relação ao levantamento anterior. A oposição também lidera com folga no Senado, com Cleitinho (PL-MG), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Sérgio Moro (União-PR) como os 3 senadores com maior popularidade digital.

Os temas que mais mobilizaram os políticos nas últimas semanas foram o Projeto de Lei (PL) das Fake News e a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro.

Na discussão sobre o PL, a oposição engajou mais do que o dobro dos governistas, com 3 vezes mais comentários e 8 vezes mais curtidas. A votação do projeto foi adiada na terça-feira por um pedido do relator, Orlando Silva (PCdoB-SP), diante da derrota certa.

A pesquisa da Quaest aponta que a diferença no poder de influenciar o debate entre governo e oposição foi evidenciada na discussão sobre o PL das Fake News. Políticos contrários a Lula fizeram 201 publicações a mais sobre o projeto que aliados, além de terem obtido muito mais engajamento.

Os dados revelam que os opositores estão ampliando sua presença nas redes sociais, o que pode ter impacto na opinião pública e nas próximas eleições.