Transporte público de Natal exige grandes mudanças, diz empresário

Nem os empresários estão satisfeitos com o sistema de transportes públicos de nossa capital. Essa é a constatação de Gino Costa, diretor-executivo do RN Card, em entrevista exclusiva que nos concedeu. Além de empresário com sólida atuação em vários estados, sua família é proprietária da Trampolim da Vitória, Gino é do Conselho de Tecnologia e…

Nem os empresários estão satisfeitos com o sistema de transportes públicos de nossa capital. Essa é a constatação de Gino Costa, diretor-executivo do RN Card, em entrevista exclusiva que nos concedeu. Além de empresário com sólida atuação em vários estados, sua família é proprietária da Trampolim da Vitória, Gino é do Conselho de Tecnologia e do Conselho de Inovação da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).

Para o empresário, o grande problema do sistema, hoje, são as graves distorções no modelo de financiamento adotado. Centrado na contribuição do usuário, o modelo atual penaliza aqueles que têm maior necessidade de serviços públicos de transporte. Isso ocorre porque, por exemplo, os desempregados que precisam se deslocar em busca de uma colocação não possuem qualquer tipo de benefício e sobre eles recai a responsabilidade de arcar com os custos de todos os benefícios concedidos.

Gino diz que para o empresariado não há nenhum problema em relação a benefícios como meia-passagem e gratuidades para idosos e outros públicos. A questão em relação a isso, que agrava o ônus tarifário, é que todo o custo desses benefícios é pago exclusivamente pelos usuários.
Hoje, em Natal, a única fonte de custeio do sistema de transportes públicos é a tarifa paga pelo usuário. Não há qualquer tipo de aporte ou estímulo para compensar as políticas de isenção tarifária existentes. Desta forma, todos os custos das empresas são pagos unicamente pelo usuário do sistema.

Melhorias

Para Gino Costa, o Rio Grande do Norte está na contramão das melhores práticas adotadas no setor. “O transporte público não recebe aquela prioridade que ele realmente merecia. Infelizmente não é dada aquela prioridade que os políticos realmente deveriam dar. E por que isso acontece? Porque ele tem essa parede do empresário levando pancada no lugar dele”, diz.

O executivo apresentou cálculos que apontam para números impressionantes. Por exemplo, para se renovar a frota e ter “padrões europeus” de serviço – com ônibus climatizados e acessibilidade de maior qualidade – o custo da tarifa teria que chegar a R$ 10,00. A solução para se ter um transporte público de qualidade a preços acessíveis, mais uma vez, passa por um redesenho do modelo de financiamento, que está defasado.

“Se ficar só pra pagar a conta o usuário, sobretudo aquele mais necessitado, fica muito injusto. É preciso distribuir isso por toda a população”, explica. E chegou a afirmar que a região metropolitana de Natal seguramente está entre os cinco piores sistemas de transporte público das capitais brasileiras.
Ele cita o exemplo de cidades europeias que possuem transportes públicos de excelência e financiamento social. E vai além, diz que a as propostas de tarifa zero obtiveram êxito em diversas cidades, inclusive no Brasil, como Caucaia, no Ceará. Mas para isso, novamente, é preciso mexer no modelo de financiamento.

“Me diz se tem sentido, hoje, o empresário ter uma frota velha, quebrando, com reclamação. Com problemas e com a população reclamando. Qual é, em sã consciência, a pessoa que acha que o empresário quer ter isso. Eu quero ter uma frota nova, de qualidade. Se eu tenho hoje uma frota velha, ela vale X; se fosse nova, valeria 5X”.

Pandemia

Durante a pandemia, tivemos que conviver com ônibus lotados e linhas esparsas. Gino mostrou números que apontam para uma redução de 70% na demanda dos transportes coletivos da capital. E como o modelo de financiamento é exclusivamente tributário do usuário, isso representa uma queda de 70% na arrecadação. Diferente de outras cidades brasileiras, Natal não criou nenhum nenhum programa de compensação para viabilizar a manutenção da frota. “O serviço de transporte público é executado pela iniciativa privada, mas ele é um serviço público. Então para que se tivesse 100% da frota operando, para um público que caiu a 30% do habitual, era necessário um esforço público”.

“São Paulo é um caso exemplar na pandemia, que devia ter sido adotado em todo o país. Eles mantiveram 100% da frota. Houve dinheiro injetado no sistema. Se você quer manter a frota a 100%, vai seguir pagando 100% no diesel, na mão de obra, na manutenção. Lá, como havia financiamento, o próprio estado pediu para reduzir a frota”, diz Gino.

Assista à entrevista completa abaixo:


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