Você sabe o que é a “reforma do ensino médio”? Se sabe, está entre uma minoria

Pesquisa realizada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) revelou que 55% da população brasileira está pouco ou nada informada sobre o novo modelo do ensino médio. Implementado em 2022, a reforma teve como objetivo declarado tornar a etapa mais atrativa e evitar que os estudantes abandonem os…

Pesquisa realizada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) revelou que 55% da população brasileira está pouco ou nada informada sobre o novo modelo do ensino médio.

Implementado em 2022, a reforma teve como objetivo declarado tornar a etapa mais atrativa e evitar que os estudantes abandonem os estudos. A pesquisa também apontou que apenas 15% da população estão informados ou muito informados sobre o modelo.

Para o professor da Faculdade de Educação e coordenador do grupo de pesquisa Observatório Jovem do Rio de Janeiro da Universidade Federal Fluminense (UFF), Paulo Carrano, o resultado não é surpreendente, já que a política pública foi feita “na improvisação”, sem o diálogo necessário com a sociedade, em especial com a comunidade escolar de base, alunos, professores e gestores.

De acordo com os dados do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), as secretarias estaduais mantiveram o cronograma de implementação do novo modelo do ensino médio, mesmo em meio à pandemia de Covid-19. As escolas devem ampliar a carga horária para 1,4 mil horas anuais, o que equivale a sete horas diárias, para que o novo modelo seja possível.

Parte das aulas será comum a todos os estudantes do país, direcionada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e na outra parte da formação, os próprios alunos poderão escolher um itinerário para aprofundar o aprendizado. As opções incluem áreas como linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas ou ensino técnico. No entanto, a oferta de itinerários vai depender da capacidade das redes de ensino e das escolas.

Entre os resultados da pesquisa, a possibilidade de os estudantes fazerem um curso técnico durante o ensino médio é aprovada por nove em cada dez pessoas. No entanto, o professor Paulo Carrano destaca que a implementação ocorre com professores insatisfeitos pela desorganização que a reforma promoveu no cotidiano escolar, diante da falta de estrutura e laboratórios necessários nas escolas públicas para oferecer a pluralidade que a reforma do ensino médio promete.

Embora a pesquisa mostre que a maioria dos brasileiros aprova as principais diretrizes da reforma, há ainda desafios a serem superados, como a formação e capacitação de professores, a comunicação com a sociedade, em especial as famílias, e a incorporação do itinerário de educação técnica profissional, que deve demandar parcerias com outras instituições.


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